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GAMA 1

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1. Impressão, sublimação, índice

O desejo de registrar a realidade foi facilitado com o surgimento da fotografia e, atualmente, as tecnologias digitais modificaram as possibilidades de explorar a criação de novas imagens. A fotografia digital amplia consideravelmente os meios de interferir nas imagens, o que antes, na fotografia analógica era mais restrito, porque a fotografia era ‘produzida de um só golpe a partir da incidência de luz sobre os objetos reais, irreversivelmente gravada em uma superfície com sais de prata, e que só especialistas, com engenhosos recursos de laboratório, conseguiriam alterar’ (Schenkel, 2007: 91). Hoje os meios digitais permitem ao artista manipular e interferir em cada ponto das imagens, inclusive, desconstruindo e subvertendo o referente real. Podemos dizer que, é possível intervir na estrutura matricial da imagem. Para Edmund Couchot (2003: 161), “fisicamente, sobre a tela do computador, a imagem numérica se apresenta como uma matriz com duas dimensões de pontos elementares: os pixels. [...] O pixel faz o papel de permutador — minúsculo — entre a imagem e o número. Ele autoriza a passagem do número à imagem.” A investigação poética de Martins Costa inicia a partir de dispositivos que permitem transformar as fotografias das paisagens em matrizes numéricas. Essas imagens digitais, posteriormente, são duplicadas e transferidas pela impressão sublimática para a superfície do tecido de algodão cru. A impressão por sublimação é um processo que passa por três etapas, inciando pela digitalização da imagem no computador, a impressão com uma impressora sobre um papel transfer e, por último, o papel transfer é colocado sobre o tecido que passa por uma prensa térmica com alta temperatura, propiciando a transferência da imagem. Aqui podemos pensar sobre o que ocorre com as estruturas indiciais dessas imagens, uma vez que, elas perpassam por diferentes meios. “A fotografia é algo extraído do tempo, mas sempre se refere à outra coisa anterior, o que ela foi algum dia. Nela reside uma marca, um rastro, um índice de um objeto que existiu” (Wanner, 2010: 233). A fotografia analógica se modifica quando entramos

91 Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 90-95.

a fotografia, a impressão e a pintura, provocando tensões e distensões entre o gesto tecnológico e o fazer manual que, em seus distintos planos, geram paisagens impregnadas de novos sentidos. Clóvis Martins Costa nasceu em 1974 e vive em Porto Alegre/RS; é artista Plástico, graduado em Pintura no Instituto de Artes da UFRGS em 1998, doutorando em Poéticas Visuais pelo PPGAV/UFRGS e professor da Universidade Feevale desde 2003, em cursos de graduação e pós graduação. O artista desenvolve sua pesquisa plástica através de ações em margens de rio como método de trabalho, operando intersecções entre a pintura e a fotografia.


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GAMA 1 by belas-artes ulisboa - Issuu