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Figura 2. Joaquim Margarida, 1888. Caricatura extraída do Periódico Crítico Matraca, ano VII, nº 08. Acervo da Biblioteca Publica do Estado de Santa Catarina.
deputados, um deles, com cabeça de pássaro, defende os interesses da província, como a construção de uma estrada de ferro e de um farol. 2. Figuras híbridas: uma linguagem universal
A partir do século XIX, os esforços com a caricatura se tornaram mais constantes, era prática comum entre artistas do Brasil e do exterior se valer da caricatura e da sátira como instrumentos para representar, com ironia, humor e crítica pessoas e acontecimentos da sua época. Para McPhee (2011), independente do contexto histórico ou da intenção, artistas tem tradicionalmente voltado a repertórios de composição padrão e fórmulas visuais para ajudá-los a compor os elementos caricaturais nas ilustrações de humor. Dentre esses repertórios, vale destacar o exagero e distorção de rostos e corpos e a representação de pessoas como aninais e objetos. A presença de figuras híbridas em caricaturas vem de uma longa tradição nos desenhos de humor, tornando-se uma linguagem universal que tem sido utilizada por muito tempo. O artista francês François Desprez, no século XVI criou um pequeno livro com 120 ilustrações de estranhas figuras híbridas compostas de pessoas-animais com o título Les songes drolatiques de Pantagruel, conforme aparece na figura 5, antecipando o que os caricaturistas fariam nos séculos seguintes. Esse livro inspirou numerosos artistas no século XIX, principalmente caricaturistas franceses ativos durante a Revolução, os quais frequentemente retratavam figuras políticas como corpo de animal e cabeça de homem. O artista americano Henry Louis Stephens executou, na década de 1850, um conjunto de 40 litografias coloridas com o título The Comic Natural History of the Humam Race. Nessa série, o artista criou figuras híbridas acrescentando
Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 72-77.
Figura 1. Joaquim Margarida, 1885. Ilustração de capa do Periódico Crítico Matraca, ano V, nº 50. Acervo da Biblioteca Publica do Estado de Santa Catarina.