43 Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 40-44.
espaço de representação fica saturado com textos em várias línguas, sobrepostos a imagens em movimento, vozes, cantos, ruídos e sons de todo tipo. Isto acaba demandando o desenvolvimento de um olhar específico, ou uma percepção talhada na construção dialógica dos sentidos. A leitura perceptiva de Parabolic People, nos seus onze módulos, exige um olhar atento a todas as linguagens apresentadas, todos os recortes que vão aparecendo, ao mesmo tempo, de forma diferente a cada segundo. Neste contexto de saturação, a cor funciona no sentido contrário. Mantendo uma paleta restrita em dez cores saturadas (vermelho, verde, azul, magenta, ciano, amarelo, laranja, roxo, preto, branco) repetidas a cada módulo, a leitura de Parabolic People fica contaminada com a certeza da repetição da paleta. Em meio a tanta informação simultânea, a cor se movimenta através da própria repetição. Segundo Modesto Farina (2011), quando se trata da análise da presença das cores em imagens em movimento, a percepção da cor se dá na repetição. Sendo assim, a cor em Parabolic People funciona no movimento da repetição. Logo no primeiro módulo, o branco e o preto aparecem na maior parte do tempo, com imagens em fundo preto e pouquíssima variação de cores. As imagens vão aparecendo e se movimentando formando uma espiral. No segundo módulo o fundo é azul para o texto: “What do you believe?” Em várias outras línguas também. Aparece então o verde, seguido do magenta, laranja, azul, ciano, amarelo e vermelho. Textos em várias línguas com pessoas quietas, esperando sua vez de falar são gravadas na videocabine para o terceiro módulo. O fundo aparece e as pessoas com auras coloridas nas seguintes combinações: azul/magenta, vermelho/verde, roxo/amarelo, margenta/roxo, verde/ciano, ciano/vermelho. A pergunta Qual é a diferença entre a janela e a televisão? Aparece no quarto módulo combinando várias línguas mas apenas em preto e branco. O texto segue-se paisagens com céu aparente em várias janelas que desenham movimentos na horizontal e vertical, compondo também com textos em verde e branco. O quinto módulo desenha a cabine com fundo preto e a cor aparece em uma contagem do tempo em vermelho. A frase A televisão não é a realidade, a realidade é a televisão aparece na sexta vinheta seguida de figuras de heróis. O verde, o azul, amarelo, vermelho, verde, roxo, magenta, branco e preto aparecem no entorno de um true hero. O sétimo módulo exibe uma tira com imagens em movimento num fundo preto. O oitavo módulo começa com preto total, evidenciando o som do Harlem, NY, dispara textos em verde, vermelho, roxo e azul, que seguem a fala “Everything is not black and white.” Vários quadros desenhando movimentos na horizontal ou vertical cercam