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GAMA 1

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42 Luciana Martha Silveira (2013) “A Cor em Movimento na obra ‘Parabolic People‘.”

a inúmeras possibilidades perceptivas, de leituras renovadas a cada vez que se entra em contato. Parabolic People surgiu a partir da ideia das videocabines. Inicialmente eram cabines que funcionavam apenas para projeção de video, mas o que começou a chamar mais a tenção do public não era o que estava sendo projetado, mas sim a própria cabine. Sandra passou então a convidar as pessoas a se expressarem verbalmente sobre os mais diversos assuntos para uma câmera. As videocabines passaram a ser equipadas com uma camera de video fixa, montada em um tripé. Com esta cabine percorrendo diversos pontos da cidade, as pessoas eram convidadas a entrar e manifestar-se para a câmera. Mais tarde, todo o material gravado era recolhido e editado. Neste trabalho inicial, o objetivo de Sandra já era dar palavra ao público, desmistificando os aparatos mediadores. Em 1990, as videocabines voltam dando oportunidade ao espectador decidir sobre qual assunto vai falar, tendo como regra única o tempo de trinta segundos disponíveis. Foram gravados 1.440 pequenos discursos, onde os visitantes da cabine falam sobre muitas coisas. Filosofam sobre a vida, dão conselhos sobre coisas que já viveram, mostram bichos de estimação, revelam segredos íntimos, fazem perguntas. Assistindo às videocabines, Pierre Bongiovanni convida Sandra a ampliar este projeto para outras cidades, em outros países, em parceria com o CICV (Lacombe, 1998). Segundo Arlindo Machado (1997), as imagens de Parabolic People provocam um arranjo que chama muito a atenção pelas composições inesperadas. Através do diálogo entre várias janelas, Sandra Kogut promove um diálogo que parece impossível fora de suas imagens, pois estão, tanto em ideias quanto nos próprios lugares, bastante distantes. Cinco cidades fazem parte do projeto Parabolic People: Paris, Tóquio, Moscou, Nova Iorque, Dacar e Rio de Janeiro. Sandra Kogut e sua equipe estiveram durante duas semanas em cada cidade, capturando imagens e depoimentos, com 260 fitas gravadas e 130 horas de material bruto. O trabalho teve resultado em onze módulos e uma carreira de sucesso nas televisões de vários países e Festivais Internacionais. 3. Parabolic People Colorido

Na ilha de edição, Sandra Kogut insere simultaneamente textos, vozes, ruídos, barulhos, cantos, imagens em movimento, montando uma rede complexa. Esta rede é a própria representação do que se convencionou chamar a estética da saturação, isto é, num curto espaço de tempo, tem-se uma quantidade máxima de informação advinda não só de imagens, mas de texto e sons diversos. O


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