1. A obra de Sandra Kogut
Sandra Kogut é uma videoartista e cineasta brasileira, nascida no Rio de Janeiro em 1965. Sua obra está entre a videoarte, o documentário e o cinema, promovendo uma nova leitura perceptiva, a partir da construção e edição não-linear de suas imagens. Teve uma significativa produção nos anos 80, porém seus trabalhos mais conhecidos foram os realizados nos anos 90. Seus primeiros trabalhos foram registros de performances próprias ou de outros artistas. A partir de um curso de vídeo que viu anunciado no jornal, Sandra Kogut segue produzindo e editando imagens para vídeos, comerciais, videoclips e programas para a TV. Ainda nos anos 80, suas famosas videocabines foram criadas no intuito de se inserir no universo televisivo, criticando o próprio meio televisual. Através da priorização do sujeito enfocado, as videocabines dessacralizavam as técnicas de produção e promoviam a imparcialidade do próprio produtor, pois não havia ninguém manipulando a camera (Lacombe, 1998). Mais tarde, Sandra é convidada a trabalhar no Circo Voador, onde começa a fazer importantes contatos com bandas e grupos de teatro. Mais tarde, em parceria com Regina Casé, faz o programa Brasil Legal da Rede Globo. Em 1988 materializa sua primeira instalação com uma cabine, a Cabine Video no. 1. Continuando com as cabines, Sandra desenvolve dois importantes trabalhos: As Videocabines são caixas pretas (1990, 9’) e What do you think people think Brazil is? (1990, 5’). Em 1990, Sandra Kogut faz o video Parabolic People, produzido no Centre International de Video Creation Pierre Shaeffer (CICV), Montbéliard Belfort, França, a convite de Pierre Bongivanni. Esta parceria existe até hoje. 2. A Série Televisiva Parabolic People
Com Parabolic People, Sandra Kogut acabou estabelecendo a necessidade de uma nova leitura para seus trabalhos, construídos agora com muitas janelas simultâneas. Suas imagens sobrepostas e cortadas se exibem em camadas e participam na construção, desconstrução e reconstrução de múltiplos discursos. São estes diálogos travados entre as imagens, sons e textos que levam
41 Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 40-44.
Janeiro, que depois vão estar ao mesmo tempo, numa única imagem. Músicos tocam juntos, mesmo estando em locais opostos do planeta, assim como mães apresentam seus filhos para o outro lado do mundo. O objetivo deste trabalho é promover uma leitura da obra Parabolic People de Sandra Kogut através do olhar da paleta cromática utilizada nesta série televisiva. Esta paleta caminha em sentido contrário da estética da saturação, que evidencia uma grande concentração de informação em um mínimo espaço de tempo.