Referências Ardenne, Paul. (2002) Un art contextuel. Créaton aristique en milieu urbain, en situation, d’intervention, de participation. Paris: Flammarion. ISBN: 2-08080090-6 Bauman, Zygmunt. (2009) Confiança e medo na cidade. Tradução de Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar. ISBN: 978-85-378-0122-2 Charretenet artesmidia. [Consult 2012-1128]. Disponível em <URL: http://www. facebook.com/charretenet> CharreteNet [Consult 2012-11-28]. Disponível em <URL: http://www.youtube. com/user/charretenet >
Contactar a autora: beatriz.rauscher@gmail.com
Chareteando: [Consult 2012-11-28]. Disponível em <URL: http://grupotamboril. wordpress.com/tag/charrete-net/> Freire, Cristina (2006) Contexturas: Sobre artistas e/ou antropólogos in Lagnado, Lisette; Pedrosa, Adriano (Orgs.). 27ª. Bienal de São Paulo: Como viver junto. São Paulo: Fundação Bienal. ISBN:858529829-4 Rancière, Jacques (2010) Estética e Política. A partilha do sensível. Entrevista e glossário por Gabriel Rockhill; tradução Vanessa Brito. Porto: Dafne Editora. ISBN: 978-989-8217-09-7
Trabalho apresentado com o apoio da agência brasileira de fomento FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais).
25 Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 20-25.
dando destaque a uma desocupação policial de área urbana de conflito de terra e às críticas feitas pelos artistas à própria Secretaria de Cultura, financiadora do projeto. Ao colocar a cidade e suas contradições em evidência, o trabalho desencadeou na rede internet, críticas à gestão pública do espaço urbano, à política cultural do município e à dificuldade de acesso, pela população, aos espaços culturais, sociais e de lazer. Concluímos então, que artistas são atores sociais, que, justamente através de sua capacidade de ação, podem se encarregar das “reconfigurações do sensível comum” (Rancière, 2010: 47). No projeto de Frota, a aproximação entre arte e política enfatizou o sensível a partir de falas e de desejos; promoveu a entrada da arte de modo inédito nesse território (ao mesmo tempo, periférico e sensível), através de uma ação artística original, ativista, que em sua concepção levou em conta as características do lugar e da identidade. Assim concluímos, pensando a partir de Ardenne, que as fórmulas que os artistas propõem à sociedade, mesmo que se revelem transgressoras e contraditórias, podem descortinar uma implicação, mas também uma adesão; uma crítica, mas também o desafio, justo por sua potência em promover mudanças. A análise do projeto artístico de Gastão Frota nos mostra como a arte pode inscreve-se na cidade numa relação não mais ilustrativa, mas, sim, vivida (Ardenne, 2002); nos mostra ainda, como uma ação artística pode servir como um mecanismo de compartilhamento de percepções singulares da urbanidade.