23 Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 20-25.
evidência aspectos culturais dialógicos do local-global; do individual-coletivo; da memória-esquecimento; do arcaico-moderno; do atraso-progresso; em uma produção que contou com a colaboração de diversos “atores” fundamentais para a eficácia político-cultural do trabalho. Uberlândia tem sido, nos últimos anos, matéria e contexto de diversos projetos de Artes Visuais. Estão, entre eles, iniciativas individuais e projetos vinculados ao programa institucional Arte Móvel Urbana, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura desde 2009, que, com o tempo, se tornou um campo de tensões entre artistas e a administração pública. É nos quadros deste programa que o projeto “Cyber atrações” se inscreveu e foi contemplado para participar da edição de 2011. Em sua concepção, previa o contato com entidades culturais de bairros distantes do centro da cidade, para oferecer a oportunidade de acesso à rede mundial de computadores e meios eletrônicos. O roteiro foi estabelecido a partir de um mapeamento de equipamentos e agentes culturais que atuam nas periferias e dos locais de pernoite, já que a ação teria a duração de quatro dias consecutivos. Quando o trabalho começa a adquirir forma, o artista recorre não apenas aos dispositivos plásticos e relacionais, mas entra em cena o ativismo político que caracteriza sua produção. Assim, a charrete é incorporada por Frota à proposta. O veículo de tração animal, hoje obsoleto e usado quase que exclusivamente por catadores de lixo, é conhecido também como carroça. Esse nome, que adquiriu Brasil, (principalmente nos centros urbanos), o sinônimo de atraso, pobreza e de lentidão, é determinante na construção dos sentidos expressos na ação artística. Frota elege esse veículo, objeto crítico e plástico, como meio de acesso aos bairros periféricos de Uberlândia. A adoção desta estratégia determina o nome da proposição artística, um neologismo que mistura os sons próximos de charrete e internet, e que traz a essência das ambiguidades que permearão todo o trabalho. O cavalo branco, Silverado, e a carroça são enfeitados com flores pelo artista. Uma bandeira é afixada na parte de trás e faz seu voo como um parangolé, dançando ao ritmo do andar do animal (Figura 3). Vários objetos vão sendo incorporados à charrete resultando num conjunto colorido e festivo. O trabalho tem curso e existência a partir de colaborações e relacionamentos. Artistas diferentes, cada um por vez, são convidados por Frota para acompanhá-lo por trajetos determinados. Eles são estimulados a desenvolverem suas performances musicais, teatrais e poéticas a bordo da charrete em trânsito, em interação com a população, que por sua vez, interage com as câmeras que registram suas imagens. O artista divide com colaboradores as operações dos equipamentos de gravação de imagens e sons, todos portáteis e de uso não profissional para transmitir, via conexão móvel, o que se passa na charrete e no seu trajeto, para redes