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GAMA 1

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3. Novas paisagens

Outros projetos passaram a ser compostos e arrolados de forma paralela. A invisibilidade do seu desenho no espaço fora revelada em sua pesquisa.

191 Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 185-192.

apresentados. Logo, surgiram as linhas invisíveis e o conceito elaborado pelo artista da existência de “Linhas-ausentes-presentes” no espaço paradoxal, gerado, em parte, por meio das pesquisas filosóficas e matemáticas no trabalho do artista (Figura 3). As linhas interrompidas bruscamente pela dobra do papel geraram as linhas invisíveis, extra racionais, o que acabou criando uma dicotomia entre as linhas reais e as empíricas que eram percebidas pelo artista, através da ideia de tridimensionalidade e da experiência em prática. Essas possibilidades foram possíveis pelo uso involuntário do papel dobrado e, consciente agora, nas maquetes de madeira para a construção de obras tridimensionais, na escultura, no campo ampliado (Figuras 4 e 5), e que foram constituídas juntamente com os desenhos. As dobras acabaram por incorporar outras linhas, as ditas invisíveis e afirmadas pelo artista. Foi no reconhecimento dos trabalhos de artistas como Ana Maria Tavares (2002) e Edit Derdyk que Novaes avançou suas buscas pelo espaço arquitetônico. A necessidade de sair do plano fictício dera-se com a percepção de que as linhas precisavam se “libertar,” expandindo suas tramas para as paredes, pisos e tetos. Outro ponto relevante fora a percepção do esgotamento do desenho, que tenderia a esbarrar no limite técnico e material. Dessa forma, o desenho poderia ter sido algoz de seu processo, criando amarras difíceis de serem rompidas. Com o vencimento dessa etapa, a superação promoveu o trampolim para que a obra pudesse atuar no mundo real, na escala 1/1, no espaço ocupado por nós, seus destinatários. Saindo da parede e do papel, Novaes se esmerou em interagir com o espaço e a arquitetura. A profundidade passou a ser real e as linhas e o plano invisível adquiriram o caráter de um (não) objeto (Figuras 6, 7 e 8). Em Drawingspace #2, Novaes mantêm as linhas em adesivo e variações tonais disintas e oscilantes entre o cinza mais claro ao mais escuro, mas também agrega a experiência do vídeo, conforme podemos ver nas Figuras 7 e 8. O vídeo de (com duração 3’) é projetado ao fundo do ambiente da instalação e aos poucos, as linhas são libertadas e desenhadas partindo de uma das faces da parede. De forma a coincidir com as linhas interrompidas e existentes de adesivo. Nessa complementação, ruídos de linhas irrompem a expectativa do público que no “desenhar com os olhos” é reconectado ao espaço da arquitetura. Experiência que aproxima-se ao apagamento e recomeço do desenho em folhas de papel.


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GAMA 1 by belas-artes ulisboa - Issuu