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GAMA 1

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No terceiro capítulo reservamos aos processos e experiências em andamento e que traremos à luz, para pontuarmos as reflexões criticas no trabalho do artista em questão. 1. Linhas no Plano Bidimensional — alguns estudos

Para compreendermos como se dera o constructo conceitual no trabalho de Novaes apresentaremos o percurso feito pelo artista, tendo como ponto de partida os desenhos desenvolvidos com linhas retas com variações tonais monocromáticas entre o cinza claro e o correspondente escuro. Podemos observar que as linhas mais escuras ou densas se colocavam como linhas firmes, seguras, lentas. Quase estáticas, sem nenhuma intenção de motricidade ou simulacro de movimento. Essas linhas pareciam estar mais próximas do topo do suporte. Ou seja, as linhas pareciam se encontrar sempre fora do plano do papel, reservando a sua consistência material e sustância visual aos limites internos do papel. O artista inicialmente optou por trabalhar com o papel em formato A3 e o grafite. Construindo espaços fictícios pelo controle tonal do grafite, pela força e densidade e pela aproximação ou distanciamento dessas linhas. Manifestando desde já uma vocação tridimensional nas mesmas, bem como a possibilidade de sua tradução para o espaço real, já que as linhas mais claras pareciam ter certa motricidade, sendo mais velozes, leves, embora fracas e distantes, locando-se no fundo do campo visual, conforme podemos observar nas Figuras 1e 2. No início de seus estudos, os desenhos tinham apenas o enfoque na profundidade espacial e não havia direcionamento conceitual pré-concebido. Através da prática do desenho e da busca pela fuga para o espaço, para fora do plano do papel, as linhas juntaram-se e ganharam um aspecto de fita, como fachos de luzes. Nessas, as transparências deixaram de existir na sobreposição e percebeu-se um ganho de robustez causado por sua solidificação.

Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 185-192.

Figuras 7 e 8. Sandro Novaes, Drawingspace #2. Instalação. Adesivo e projeção sobre parede. Materialidade, movimento e desmaterialização do desenho. Galeria de Arte e Pesquisa — GAP, Vitória (ES) — Exposição Ocupa 12.1: “Pra não forçar a sintese”, (2012).


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