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GAMA 1

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164 Junior, Antonio Wellington de Oliveira (2013) “De homens e bichos na série ‘Catadores do Jangurussu’ de Descartes Gadelha.”

WTF?!! TARZAN???? TheAaronn007 há 23 horas (http://www.youtube.com/watch?v=XHQMbQkxh1Q&feature=player_embedded)

Tiny Tansy é Tarzan, Mogli, Amala e Kalama (Maturana e Varela, 1995: 159). Talvez só uma diferença entre ela e os outros exemplos deva ser levada em conta: Tiny não se perdeu na selva, não foi sequestrada ou adotada por chimpanzés ou lobos, não teve que se tornar um daqueles animais, bestializar-se, e, depois, submeter-se a violenta ressocialização, ´ter que´ re-humanizar-se: Tarzan voltou à selva, Mogli, aos lobos, e as duas irmãs indianas morreram. Nem a chancela ´.doc´ das imagens que vejo — e a pretensa oposição entre ficção e não-ficção, perde consistência aqui — serve de possível fator distintivo: o mise-en-scène evidente, a edição, a deliberada ausência de adultos no enquadramento, a situação completamente controlada, selva de laboratório (assim como os mistérios e dados inconsistentes ou inexistentes das narrativas proto-etnográficas que envolvem os meninos-lobos, como Amala e Kamala), apenas evidenciam o alto nível de ficcionalização ali; e o que Tiny Tansy ficcionaliza, tanto quanto as personagens de Kipling ou de Burroughs, são os limites tensos e imprecisos, os trânsitos, contágios e desterritorializações entre natureza e cultura; selvageria e civilização; e, sim, inescamoteavelmente, o tema frequente nas culturas e incontornável aqui: a amizade entre homens e bichos.] No quadro de Descartes, Chico Neném encara o urubu, como Paulo e Pedro no de Serodine que impressionou Agamben: tão próximos, com as frontes quase coladas uma na outra, que estes absolutamente não podem se ver: na estrada do martírio, estes se olham sem se reconhecerem. Essa impressão de uma proximidade por assim dizer excessiva é ainda acrescida do gesto silencioso das mãos que se apertam embaixo, dificilmente visíveis. Sempre me pareceu que esse quadro contenha uma perfeita alegoria da amizade. O que é, de fato, a amizade senão uma proximidade tal que dela não é possível fazer nem uma representação nem um conceito? (Agamben, 2009: 19).

Digo que o urubu estende a garra-mão para Chico Neném que, num ato reflexo, reciprocamente, lhe estende, não a mão inteira, ocupada com um cajado (seria mesmo um cajado, ou apenas o indicador e o médio. O gesto está em suspenso e inacabado, o que confere, à cena, certo temor, implícito no distanciamento ainda respeitado pelas partes; porém não há terror, agressividade,


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GAMA 1 by belas-artes ulisboa - Issuu