16 Queiroz, João Paulo (2013) “Gama.”
Lurdi Blauth, no texto “Impregnações pictóricas na produção artística de Clóvis Martins Costa,” apresenta a obra deste artista brasileiro, que introduz os processos da natureza, das areias, das marés, na materialização das suas obras. O artigo “Sobre narrativas, criando irrealidades: narrativa no trabalho de João Maria Gusmão e Pedro Paiva,” de João Pedro Leal, lança novas perspetivas sobre a obra de João Gusmão e Pedro Paiva (Portugal), que revisitam pensadores “não alinhados,” e suas propostas esquecidas como a “ciência das soluções imaginárias” ou, também, a ciência que “estuda o abismo.” Ana Hupe, no texto “Homenagem como processo,” inroduz a obra de Leonora de Barros (Brasil), que, em performance de 1975, revisita a assexualidade das peças de Segal. O artigo “Captación de lo tenue en la obra de Ann Veronique Janssens,” de Fernanda García e Pilar Soto, revela as pesquisas da artista, oriunda dos Países Baixos, em torno do infra leve, da experiência aguda do quotidiano e da captação do semisensorial, quase poderia dizer, do “infra mince” de Duchamp. Fátima Nader Cerqueira, no artigo “Marilá Dardot: pintura e fotografia na construção da paisagem digital,” apresenta a singular aproximação aos livros de uma artista, Marilá Dardot (Brasil), às suas afinidades eletivas. Os livros são aqui organizados como numa enciclopédia cromática, uma espécie de florilegium. Os livros tocam-se pelo olhar do seu possuidor e organizador, em torno de critérios inesperados. No texto “O desenho de Luísa Gonçalves como espelho sensível dos afetos,” Luís Filipe Rodrigues procura interpretar os trabalhos gráficos de Luísa Gonçalves (Portugal) através de uma dialética do sujeito e enquanto sujeito de um discurso de sexualidade. Carla Frazão apresenta as formas criativas, expansivas e quase fantásticas do ceramista António Lapa (Portugal), introduzindo-nos ao seu bestiário tátil, no seu artigo “O lúdico, o afeto e o imaginário infantil na obra de António Vasconcelos Lapa.” O artigo “Falsa ilusão de uma não interferência,” de Walmeri Ribeiro, debate o cinema de Ricardo Alves Jr (Brasil), autor com interseções do teatro onde se explora a expectativa e a separação entre o que se espera e o real, na esteira de Samuel Beckett. Cláudio Magalhães aborda a auto-representação de Antonio Mañas (Espanha), de vertente irónica e também política, no seu texto “Divergencias poéticas y reinvención de lo cotidiano en el trabajo de José Eugenio Mañas” Sissa de Assis debruça-se sobre a obra de Lúcia Gomes (Brasil) “Quando a arte não cala,” refletindo sobre as obras que evocam silêncios nos espaços repressivos, sejam eles políticos ou simplesmente urbanos.