Enfim
Lúcia Gomes não pretende uma revolução social ou política. Pois sabe que elas estão em seu devir. Utópico? Talvez. Irrealizável? Nas mãos de muitos, sim. Sua revolução mora no despertar da sensibilidade, esta deverá ser incentivada, conquistada em luta incansável. A função da arte, a meu ver, é tornar o ser humano sensível à situação de si mesmo, do outro e do planeta. Para, a partir daí, reconhecer a plenitude da alma humana, compreendê-la, elevá-la e, finalmente, modificá-la. Portanto, para o nosso bem devemos atender aos pedidos otimistas de quem nos clama para acreditar na tão benéfica reviravolta do planeta; mas, por ora, depois da justa expulsão do paraíso, “[...] compre o jornal e vem ver o sol. Ele continua a brilhar, apesar de tanta barbaridade” − música ‘O poeta não morreu’, banda Barão Vermelho. Afinal, não podemos parar de evoluir se o sol continua a brilhar.
Referências Amazónia, Lugar da Experiência (2013) Lúcia Gomes [Consult. 2013-01-13] Disponível em: <URL: http://experienciamazonia. org/site/lucia-gomes.php Cecim, Vicente Franz (1983) Manifestos Curau/Parte I: Palavras de abertura. Dom Fugaz. [Consult. 2012-12-26] Texto. Disponível em <URL: http://www. culturapara.art.br/Literatura/vicentececim/ manifesto_Curau.pdf Cohen, Renato (2011) Performance como Linguagem. 3ª ed. São Paulo: Perspectiva.
Contactar a autora: sissadeassis@yahoo.com.br
ISBN: 978-85-273-0009-4. Costa, Carlos (2007). Uma arte política. [Consult. 2013-01-08]. Texto. Disponível em <URL: http://www.itaucultural.com.br/ bcodemidias/001773.pdf Lucia Gomes Zinggeler (s.d) Blog. [Consult. 2013-01-13] Disponível em: <URL: http:// luciagomeszinggeler.blogspot.com/ Pedrosa, Mário (1933) “As tendências sociais da arte e Käte Kollwitz” In: Arantes, Otília (org.). Política das Artes. São Paulo: USP. ISBN: 85-314-0323-5.
155 Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 150-155.
espaços da arte. Seu trabalho é imaterial, está contra o poder dominante do mundo das ideias fáceis, diverge do esteticismo gratuito, desfaz-se do mero objeto artístico de decoração, toma-o de conceito-ideia de protesto na arte, colocando-o responsável e verdadeiro. Quando a arte não cala, protesta com atitude política e luta social para manter a arte iluminada por energia vital. Por fim, Lúcia Gomes tem corações fora do peito.