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GAMA 1

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154 Assis, Sissa Aneleh Batista de (2013) “Quando a arte não cala.”

condição humana, por conseguinte, segue por meio de seu ativismo e arte provocando um impacto no estado anestesiado e cúmplice que vive atualmente a sociedade contemporânea. Na assertiva de Gregory Battcock (apud Cohen, 2011), “antes de o homem estar consciente da arte, ele tornou-se consciente de si mesmo. Autoconsciência é, portanto, a primeira arte”. Gomes é uma artista que possui esta autoconsciência com vigor político e social, que resgata os primórdios das propostas subversivas da arte da performance e da intervenção urbana. Mantém as suas propostas artísticas tomadas por radicalidade, transgressão, protesto, subversão, choque de sentidos e liberdade artística. É por isso que em sua arte podemos ver um ‘exercício experimental da liberdade’ — expressão lançada pelo crítico brasileiro Mário Pedrosa (1900-1981), consequentemente, o protesto é seu estilo de vida, é sua liberdade, é tudo que a move. 2. Lixo universal

Na intervenção urbana intitulada de Sanitário ou Santuário? Salão das Águas (2003) — também chamada por Pororoca. A artista coloca um barco, tipicamente regional, no depósito de lixo Aurá, localizado no município Ananindeua — região circunvizinha da capital paraense. Desta intervenção urbana surgem imagens apocalíticas, assustadoras, incômodas: um barco em um mar de lixo. Uma onda da Pororoca, que se forma no encontro dos rios amazônicos com o Oceano Atlântico, ameaça engolir tudo e a todos no santuário da decomposição. Com efeito, o protesto da artista não apenas atinge o local da ação, mas o mundo inteiro que produz freneticamente lixo, fome e destruição. No humano ato irresponsável e insano de poluir o planeta sem piedade, sem culpa por consumir e desperdiçar ilimitadamente, enquanto outros morrem de fome e a pobreza impera em grande parte do globo. Pode-se intuir o fim inevitável da vida humana, talvez a vinda definitiva da conscientização ou destruição total, visto que, somente a impossibilidade de viver no planeta há de cessar a liberdade desse prazer de destruição incessante de tudo o que respira: Isso limparia, lavando e queimando, a Vida humana de seus Vícios públicos e privados. E assim entendo que as metáforas, como Dilúvio & Apocalipse, são, especificamente, essa Fugacidade que possa vir nos libertadas das cadeias. No duplo sentido, de elos e prisões (Cecim, 2009: 2-3).

As obras questionadoras e sem pretensões mercadológicas da artista dialogam com todas as classes sociais e intelectuais nas ruas, cidades, campos e


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GAMA 1 by belas-artes ulisboa - Issuu