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Homenagem como processo
Hupe, Ana Luiza Ferreira (2013) “Homenagem como processo.” Revista Gama, Estudos Artísticos. ISSN 2182-8539, e-ISSN 2182-8725. Vol. 1 (1): pp. 106-111.
ANA LUIZA FERREIRA HUPE
Brasil, artista visual. Mestre em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Bacharel em comunicação-social, jornalismo, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC — Rio). Cursa doutorado em Linguagens Visuais na UFRJ — Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora substituta do curso de Artes Visuais da EBA — UFRJ, Escola de Belas Artes da UFRJ, curso de artes visuais, ministrando as disciplinas Oficina de criação 3DII e Modelagem.
Artigo completo recebido a 13 de janeiro e aprovado a 30 de janeiro de 2013.
Resumo: O aumento do fluxo de informações
traz um contato maior com a produção dos artistas. As referências preferidas tornam-se por vezes obras-homenagem. A homenagem como forma de criação foi escolha da artista Lenora de Barros ao criar Homenagem a George Segal, performance para a câmera feita em 1975 e repetida em 1990. Este artigo esmiúça este trabalho de Lenora de Barros, enxergandoo como uma crítica à sociedade de controle, termo usado por Gilles Deleuze. Palavras chave: Lenora de Barros / homenagem / George Segal.
Title: Homage as a process Abstract: The increasing flux of information
brings a larger contact to the production of the artists. The favorite references turn into tributepieces, sometimes. Tribute as a form of creation was the choice of the artist Lenora de Barros when she presented the piece Homage to George Segal, a performance made for the camera in 1975 and repeated in 1990. This article scrutinizes this piece by Lenora de Barros, interpreting it as a critic to the control society, term used by Gilles Deleuze. Keywords:
Lenora de Barros / tribute / George Segal.
Do excesso de referências, surge a homenagem
Somos cercados de catálogos de exposições, vídeos de artistas em tantos espaços virtuais, reais. Temos três vernissages por dia, uma pilha de textos sob encomenda de leitura no HD, revista sobre arte da universidade X, da Y, da Z. Palestras, workshops, seminários — todos sobre algum assunto que nos interessa. Subjetividades esmiuçadas, retrabalhadas, produzidas, que desabam pedindo para descobrirmos o mistério. E quando ele é alcançado, sentido, que graça, ufa, todo o turbilhão voltou a fazer sentido. Saímos para o mato, dar um tempo, celular desligado, internet — socorro, queremos estar fora do cárcere, por uns dias, tempo expandido, acordar a hora que for, comer quando der fome, ter como meta achar o secret spot aonde ninguém vai.