O artista cria condições para que o espaço seja um lugar que possibilite a produção. É nessa perspectiva que podemos fazer a relação da constituição do espaço com a constituição da subjetividade do artista. Essa organização mostra-se também como uma forma de obtenção de conhecimento das obras em construção em si mesmo
Nesta materialização da obra, rascunhos, esboços, projetos vão sendo elaboradas novas obras, o tempo contínuo dessa “fábrica” tem uma carga imensa de racionalidade. Palatnik não acredita em inspiração. Ele diz que sua arte é uma questão de percepção das possibilidades que o material com que trabalha lhe oferece. Ao mesmo tempo, sensorial, pois segundo Palatnik “nos somos dotados de órgãos sensoriais exatamente para perceber, não só para entender, o entender é um processo mental.” O poeta Murilo Mendes comentando o catálogo da Bienal de Veneza de 1964 diz que as obras de Palatnik “são tangentes à pintura e ao cinema,” e o desenvolvimento de suas formas “obedecem ao um jogo dialético entre o sólido e fluido.” E concluiu o escritor: “Constituindo-se em uma espécie de lanterna mágica do nosso tempo, seus elementos não são fornecidos do exterior, mas elaborados com rigor pelo artista, que aspira a conciliar o espaço e o tempo.”
Referências Amaral, Aracy (org.) (1998). Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner. São Paulo: Cia. Melhoramentos e DBA Artes Gráfica. Argan, Giulio Carlo (1992) Arte Moderna: Do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhias das Letras. Galeria Nara Roesler (s.d) Abraham Palatnik [consult. 13-01-2013] Disponível em
Contactar os autores: rmlouzada7@gmail.com / hrenatoh@gmail.com
http://www.nararoesler.com.br/artistas/ abraham-palatnik Salles, Cecilia Almeida (2010) Arquivos e Criação: arte e curadoria. Vinhedo; Editora Horizonte. Silva, Júlio Cesar da (2012) In: Atelier Embira — Lugar Processo. Anais do Congresso Internacional da Associação de Críticos Genéticos — X Edição; PUC — Rio Grande do Sul.
Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (7): pp. 50-57.
Palatnik trabalha diariamente no seu “apartelier” que está quase todo ocupado por seus inventos — obras e máquinas que cria conforme surgem demandas e ideias. Essa ocupação é sempre móvel e cada obra demanda novas buscas e utilização do espaço de criação e nunca tem um planejamento prévio, vai-se ocupando à medida que for necessário, de acordo com as necessidades do artista, conforme explica Salles (2010):
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Movimento/Mecanismo