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ESTÚDIO 7

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O surgimento de novos meios tecnológicos de produção de imagens, principalmente os eletrônicos e holográficos provocam uma influência de difícil avaliação sobre as formas de cultura iconográfica tradicional. (...) essas imagens possuem caracteres tecnológicos que renovam a criação audiovisual, reformulam a nossa visão de mundo, criam novas formas de imaginários e também de discursos icônicos, ao mesmo tempo em que acusam diferenças abismais com as imagens técnicas tradicionais.

Abraham Palatnik

De família russo-judaica Abraham Palatnik é o filho caçula de Tiago e Olga Palatnik, nasceu na capital potiguar Natal (Rio Grande do Norte), em 19 de fevereiro de 1928. Ele foi o primeiro artista brasileiro que soube fazer a interface arte, ciência e tecnologia na realização de sua poética artística, ao expor seu “Aparelho cinecromático” (Figuras 1 e 2) em 1951, na I Bienal de São Paulo. Ele chegou a esse estado da arte, buscando ampliar os seus saberes, procurando fazer algo novo. Não o novo, simplesmente pela novidade, mas novo que nos deslumbra, pois acredito que as grandes obras de artes são aquelas que fazem bater mais forte o coração das pessoas, causando um deslumbramento. Artista aparentemente circunspecto, Abraham Palatnik ainda mantém as suas pesquisas na arte cinética, realizando obras com as progressões geométricas (Figura 3) e em luz/movimento. Em entrevistas no jornal “O Globo” ele afirmou que se fosse iniciar seus trabalhos hoje, certamente utilizaria as novas tecnologias ou, alguma coisa com holografia, porém continua pacientemente criando os seus objetos cinecromáticos (Figura 4), fruto de um exercício lento e paciente, no interior de um criador visionário. O locus de Criação

O interesse em trabalhar com Abraham Palatnik e sua poética artística se deu pelo impacto que sua obra causou-me a primeira vez que a vi. Para analisá-las busquei embasamento teórico e metodológico da crítica genética, de base pierceana, uma vez que eles têm critérios claros e abrangentes para

55 Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (7): pp. 50-57.

Vasarely que essas formas ganharam conotações artísticas e se uniram a outras áreas do saber para se concretizar. Acreditamos que esta foi a última etapa de evolução de uma época, visto que a adesão das artes experimentais, pelas novas tecnologias, possibilitou uma produção complexa, os conhecimentos vindos em seguida da ciência e da informática puderam colaborar de forma expressiva para a sucessão de novas produções artísticas. Esta interação entre a arte e a ciência foi o que direcionou a penetração do universo artístico no mundo digital. Segundo Julio Plaza (1998: 18),


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