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ESTÚDIO 7

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178 Coimbra, Prudência Antão (2013) “Jorge Vieira, jogos antropomórficos como imagem de transmutação.” Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (7): pp. 178-184.

Jorge Vieira, jogos antropomórficos como imagem de transmutação PRUDÊNCIA ANTÃO COIMBRA

Portugal, artista visual. Licenciatura em Artes Plásticas — Pintura (Escola Superior de Belas-Artes do Porto). Mestre em História da Arte Contemporânea em Portugal (Faculdade de Letras da Univesidade do Porto). Leciona na Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico do Porto.

Artigo completo recebido a 13 de janeiro e aprovado a 30 de janeiro de 2013.

Resumo: Aqui se expõe como a representa-

ção do corpo humano, nos trabalhos de Jorge Vieira, se faz ou por hibridismos zoomórficos ou pela quase infinita exploração de possibilidades combinatórias dos “poucos” elementos intervenientes, tornando-se uma espécie de montagem de fragmentos, fundada na construção e desconstrução sistemática da sua unicidade e do seu sentido. Palavras chave: corpo / hibridismo / surrealismo / primitivismo / metamorfose.

Title: Jorge Vieira, anthropomorphic games and

image of transmutation Abstract: Here is exposed as the representation of the human body, in the work of Jorge Vieira, becomes hybrid zoomorphism or the almost endless exploration of combinatorial possibilities of the “few” elements involved, becoming a sort of assembly of fragments, founded in construction and systematic deconstruction of its uniqueness and its meaning. Keywords: body / hybridity / surrealism / primitivism / metamorphosis.

Introdução

Jorge Vieira representa, na história da arte do século XX em Portugal, o momento em que a escultura se desliga claramente de uma produção “engajada” em modelos ideológicos de poder, responsáveis pela manutenção de uma produção estatuária indissociável de arquétipos passadistas, ancorados ao século XIX, servindo fins propagandísticos ou apologéticos do poder que a mantinha. Com efeito, a obra de Jorge Vieira rejeita a tradição da estatuária do Estado Novo, desenvolvendo-se estilisticamente segundo duas grandes vias, a abstraccionista e a surrealista e desenvolve características abrangentes e recorrentes ao longo do tempo: a escala intimista, o barro como material essencial, a


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