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ESTÚDIO 7

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151 Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (7): pp. 146-151.

identidade do tempo, da transposição, da travessia, e principalmente do afeto (Figuras 5, 6). Ainda segundo Agostinho que registrou em sua obra “Confissões” que a sua busca e a sua angústia serviam para a compreensão de matéria, verdade, céu e Deus; Scheilla vai de encontro a esse pensamento ao registrar a substância da criação artística, sua forma, sua verdade, sua origem. Não existe intenção de igualá-la a estes autores, mas a de criar identidades no estado de sua busca, e assim uma indagação surge aqui: de onde provém o impulso criativo de Scheilla? Como se fomenta esse processo nesta artista? Da dor? Da desilusão amorosa? Do desejo de produção artística e, dessa forma, todos os impulsos são apenas pontos de partida? Quanto à memória, na problemática do reconhecimento, Ricoeur assume que “[...] nós nos aproximaremos ainda mais do que gosto de chamar de pequeno milagre do reconhecimento se discernirmos a solução do mais antigo enigma da problemática da memória, a saber, o da representação presente de uma coisa ausente” (2006: 136). Concluímos este artigo, afirmando que o espaço mágico que eclode do ser sensível da artista predispõe uma obra onde a memória se traduz na escolha da matéria que reconstrói a coisa ausente (Figura 7). Não importa se a representação corresponde ao objeto da memória, mas com ela se constrói a poética, sempre presente que em algum lugar misterioso se alojou em sentimentos.


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