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ESTÚDIO 7

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138 Silva, António Fernando (2013) “Pedro Cabrita Reis — A Diferença da Repetição.” Revista :Estúdio, Artistas sobre outras Obras. ISSN 1647-6158, e-ISSN 1647-7316. Vol. 4 (7): pp. 133-138.

imobilidade a arte erige-se no tempo e contra o tempo (Steiner, 1992) e configura-se como equivalente ao universo, tal como os antigos talismãs, numa ideia de obra total (Calvino, 2009). Combina memórias e gestos de acções da vida quotidiana, que acentuam a força metafórica das suas obras como uma viagem que olha o lado obscuro das cidades dando a ver as suas construções inacabadas, os seus despojos e acumulações. Construções simples para as quais olha, reconhecendo nelas uma linhagem e um gesto fundador porque, por mais simples e efémeras, se constituem como unidades mínimas de espaço, de abrigo, que aliam o trabalho e o engenho. Assim, cada obra de PCR pode ser uma homenagem e a partilha de uma visão, que é a marca do autor transformada em dádiva que reconhece e se inscreve numa genealogia de construtores, questionando incessantemente o lugar onde está. Desta forma aproxima-se duma noção de clássico porque, no ritmo de vida actual que não reconhece tempos longos, nem a respiração do Otium humanista (Calvino, 2009) consegue criar ao ritmo do respirar combinando, nas suas obras, a actualidade, quer como ruído de fundo quer construindo, com as ruínas dessa actualidade, um tempo que persiste para além dele (durée), arriscando uma construção que sintetiza o passado e inventa o futuro.

Referências Agamben, Giorgio (2010) Nudez. Lisboa: Relógio d’Água. p.20 Almeida, Marta Moreira de; Moura, Eduardo Souto; Seabra, Augusto M. [et al.] (2008) Uma conversa no campo, entrevista conduzida por Augusto M. Seabra e Eduardo Souto Moura, in Pedro Cabrita Reis: colecções privadas. Tavira: Câmara Municipal, pp.79-126. Ardenne, Paul (1997) L’Âge Contemporain, Une Histoire des arts plastiques à la fin du XXe siècle. Paris: Éditions du Regard. Benjamin, Walter (2006) “O Autor como produtor” in A Modernidade. Lisboa: Assírio & Alvim. pp. 287-288 Calvino, Italo (2009) Porquê ler os clássicos? Lisboa: Teorema Hegyi, Lóránd & Todolí, Vicente (1999) Pedro Cabrita Reis. Milão: Charta / Museum

Contactar o autor: afsilva@ese.ipp.pt

Moderner Kunst Stiftung Wien / Museu Serralves. Pinharanda, João (1999) “O Artista no Centro do Mundo”. Público, 19 de Novembro” Reis, Pedro Cabrita (2000) Realidades utópicas [entrevista conduzida por José Sousa Machado] in Arte Ibérica. Nº 32 (Fevereiro), pp. 68-74 Reis, Pedro Cabrita (2011) One after another, a few silent steps. Catálogo. Museu Colecção Berardo 4 de Julho — 02 de Outubro de 2011. Santos, Boaventura Sousa. (2006) A Gramática do Tempo, para uma nova cultura política. Porto: Edições Afrontamento. Steiner, George (1992) No Castelo do Barba Azul. Algumas Notas para a Redefinição da Cultura. Lisboa. Relógio d’ Água.


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