Skip to main content

:ESTÚDIO 3

Page 93

92 Rocha, Michel Zózimo da (2011) “Arte classificada em Paulo Bruscky”

Figura 1 Equipe Bruscky & Santiago, Composição Aurorial (fragmento de jornal), 1976.

tificial colorida provocada pela excitação dos átomos dos componentes atmosféricos a 100 km de altitude” (Figura 1). Nesse mesmo anúncio, os dois artistas prosseguem: “A exposição não polui o espaço, não altera o tempo, nem influencia a astrologia, é um acontecimento de arte contemporânea.” Nessa perspectiva, a potência poética dos anúncios que operam seguindo essa lógica pode estar, muito mais, na imprecisão do pensamento que imagina a ação proposta por Bruscky e Santiago, do que no próprio conteúdo anunciado. Assim, o jornal impresso se porta como meio expansivo de inserções ruidosas, muitas vezes invisíveis. Poderíamos nos perguntar: Quantos leitores perceberam ou viram os anúncios de Bruscky e de Santiago? Ou, de outro modo, quantos leitores apreenderam o anúncio como uma proposição artística? No caso de Bruscky, a transgressão de certos sistemas de informação e de redes comunicacionais, exemplificada pela arte postal ou pelos anúncios em jornais, pode representar a ampliação do lugar social da arte. O jornal, como veículo midiático, seria um meio de contato com um público mais amplo, apesar desse público, possivelmente, desconhecer a fabulação de tais anúncios. Ao anunciar a produção ou a procura de bens, de serviços e de estranhos projetos de máquinas e aparelhos fantásticos [Máquina de Filmar Sonhos, Borrachas para Apagar Palavras, Eletroencefalógrafo Musicado] deflagra-se a impossibilidade classificatória típica do meio impresso e a sua dinâmica de leitura. Conforme Cristina Freire: No caso da arte classificada, este lapso, entre a leitura automática e cega dos classificados e a pausa poética irreverente forçada pelos anúncios non-sense,


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
:ESTÚDIO 3 by belas-artes ulisboa - Issuu