Nos anos setenta, a Equipe Bruscky & Santiago, formada por Paulo Bruscky e por Daniel Santiago, lançou uma série de anúncios em jornais brasileiros de média e grande circulação, configurando uma espécie de Arte Classificada. Desse modo, a produção de Bruscky e de Santiago nos interessa pelos jogos criados através do uso de meios impressos pré-existentes. Por meio dos anúncios publicados em jornais, a Equipe Bruscky & Santiago articula uma prática pautada por uma espécie de contra-informação, cujas bases de desenvolvimento estão centradas na linguagem e na circulação desta, por meio de atentados críticos e poéticos, inserindo-os no sistema mercantil. Sobre o uso da publicação jornal, Cristina Freire observa: Trata-se, no limite, de uma forma de fazer poesia marginal e de vê-la circular em circuitos alternativos. Essa estratégia orienta-se pela ideia de criar um ruído nos mecanismos de controle da informação. A página impressa de um jornal convencional alinhava várias proposições muito caras aos artistas naquele momento, como por exemplo, encontrar outros espaços de exposição para troca de informações artísticas além de galerias e museus, ir ao encontro de um público muito mais amplo e diversificado e, finalmente, eliminar qualquer possibilidade de fazer obra-mercadoria (Freire, 2006: 46). Em 1976, através do anúncio Composição Aurorial, a dupla de artistas procura patrocinadores para realizar o seguinte projeto: “expor uma aurora tropical ar-
Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 90-94.
Apesar da repressão, as mensagens de Paulo Bruscky urgem em ganhar o mundo. Uma das frases mais presentes nos telegramartes expressa bem esse sentido de urgência: “Arte do meu tempo. Tenho pressa.” O sistema de circulação dos Correios e os novos meios que surgem (como o fax) são a melhor maneira de furar a censura tanto da Ditadura Militar quanto da distância territorial de seus pares (Tejo, 2009: 11).
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‘lento, gradual e seguro’ que, teoricamente, adjetivavam o processo de transição de um regime ditatorial para um panorama democrático, foram propostos durante o mandato do Presidente militar Ernesto Geisel. Apesar do ano de 1975 ter representado mudanças na paisagem social brasileira, acerca da abertura do regime militar e do retorno de exilados políticos, podemos nos questionar acerca do adjetivo ‘seguro.’ A morte por enforcamento do jornalista Vladimir Herzog, ainda em 1975, nas dependências do DOI-CODI, exemplifica a fragilidade de tal adjetivo, demonstrando interesses de acobertamento da real situação implantada após o golpe militar de 1964. Nesse período, o uso dos serviços dos Correios, através de trocas postais, foi um dos vetores empregados na amplificação e na circulação de mensagens, pelas quais a arte de Bruscky se [des]materializava em comunicação e trânsito, burlando o regime ditatorial. Segundo Cristiana Tejo: