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Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 74-75.
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apresentar a obra de Jordi Morell. Este artista usa ‘o buraco’ como alegoria para explorar a mutabilidade e a instabilidade da sociedade contemporânea patentes na desordem do espaço urbano. A ensaísta considera que esta obra corresponde a uma actualização do olhar romântico, o qual se enfoca, neste caso, no carácter transitório, de degradação e gasto de energia dos sistemas modernos. Maria Cristina Ferrony fala também de ‘invisibilidade’ como característica da obra contemporânea; a invisibilidade dos afectos que resultam da capacidade que os objectos têm de dar corpo ao mito. É o que acontece, para a autora, na obra de Dione Veiga Vieira que, em “O Nascimento de Afrodite – sobre a origem e criação,” consegue uma obra efémera de pura sensação com base em objectos e matérias que encarnam, na harmonia do seu conjunto, a infinita possibilidade da criação - o puro devir. Essa mesma capacidade evocativa da matéria é central na obra pictórica de Hernández Pijuan. É entre a superfície plena e o vazio, entre pintura como superfície e desenho rasgado até à tela, que nela surge a memória da paisagem. Lola Garcia Suárez e Paco Lara-Barranco analisam a produção dos anos 90 deste pintor e professor a quem não interessavam a representação ou o gesto, mas antes as possibilidades do vazio. Este despojamento buscou-o no quadroobjecto, mas também no seu papel marcante como professor.