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:ESTÚDIO 3

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64 Almeida, Márcio Antônio de & Dorotéa Machado Kerr (2011) “A folcmúsica litúrgica brasileira de José Geraldo de Souza”

gia no Pontifício Instituto de Música Sacra, em Roma, era realizado o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965). Tendo acompanhado as discussões acerca da música sacra ao longo do século XX, acolheu com satisfação os princípios da reforma litúrgica sobre a adaptação à cultura dos povos. No Brasil, passou a integrar a Comissão Nacional de Música Sacra. Seus estudos sobre a folcmúsica brasileira e a música sacra ocidental, permitiram um diálogo fecundo com as novas gerações de estudiosos e compositores da liturgia. Duas décadas, portanto, ajudam a compreender o alcance da obra do musicólogo da liturgia brasileira, haja vista que, neste período, publicou textos de particular repercussão no âmbito da renovação litúrgico-musical brasileira. 1. Folcmúsica sacra: re-criação

Tido como “um dos grandes pesquisadores das raízes da música popular brasileira” (Barbosa, 2007), dedicou grande parte de seus estudos à música sacra e, particularmente, à adaptação dos princípios da constituição sobre a liturgia Sacrosanctum Concilium (1963) ao contexto brasileiro. Aproveitando-se das discussões empreendidas ao longo do século XX sobre o canto religioso popular, mormente, nos documentos pontifícios, desenvolveu com originalidade estudos e composições com elementos musicais recolhidos da música popular brasileira. Não se configura, em sua obra, uma utilização ingênua de tais elementos, mas uma recriação intelectual e artística. Teve a preocupação de assumir as orientações conciliares de modo profundo, razão pela qual não poupou esforços em pesquisar e fazer uso, com objetividade e empenho científico, de elementos da música brasileira e sua aplicação na liturgia. Sua atuação na Comissão Nacional de Música Sacra, seus escritos e estudos sobre as constâncias ou ocorrências rítmicas, melódicas, harmônicas e polifônicas na música folclórica brasileira, permitiram conhecer o potencial da música brasileira para a liturgia. Carvalho (2009: 103-104) refere-se a José Geraldo de Souza como o “compositor, herdeiro do nacionalismo modernista” e um dos que “abriram as portas da Igreja Católica no Brasil para o elemento étnico [...] se baseando nas diretrizes marioandradianas.” Dele se escreve: “Trazia [..] seus conhecimentos teóricos e práticos do contacto estreito que manteve com a folcmúsica brasileira, atestados pela publicação de várias obras de pesquisas, cancioneiros com análises de formas populares e composições próprias” (Albuquerque, 1966: 6). 2. Obra refletida no espelho do tempo

O padre José Geraldo de Souza participou ativamente do processo de renovação litúrgico-musical instaurado após o Concílio que, entre outras questões, tratava da introdução de músicas rituais em vernáculo e da participação ativa da assembléia nas ações rituais. Por iniciativa da Comissão Nacional de Música


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