Skip to main content

:ESTÚDIO 3

Page 62

61 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 57-62.

cima - baixo Figura 1 Excerto do Nocturno III, para piano (Lopes-Graça, 1959, partitura manuscrita, compassos 1-5). Figura 2 Excerto de Intróito aos “Pobres” de Raul Brandão, para declamação e piano (Lopes-Graça, 1967, partitura manuscrita, compassos 1-4).

Graça em concerto há sempre uma tensão entre o lado emocional e o lado reflexivo” (Carvalho, 2006: 127-128). Tensão quase como uma aura, presente no cotidiano do compositor e problematizada em suas acções políticas, em seu diálogo com os movimentos artísticos de intervenção social, e em seu interesse pela expressão dramática e pela rusticidade sonora popular. Conclusão

Quanto à sua estratégia de conciliação estética, parece-nos ter sido motivada por alguns fatores indissociáveis como o desejo de criar uma identidade musical própria; o desejo de despertar uma nova sensibilidade musical no público de seu tempo; e o desejo de ver reflectida na música, sua própria história. A metáfora do espelho utilizada ao longo deste artigo evoca, num sentido borgeniano, a multiplicidade daquilo que somos. O espelho reflecte as diversas imagens que criamos de nós mesmos e do mundo a nossa volta, e é no confronto com esta pluralidade icónica que aprendemos a nos reconhecer face ao outro, ao diferente, ao inusitado (Reis, 2003). Lopes-Graça ao conciliar práticas musicais tradicionalmente distintas colocou em evidência não apenas a multiplicidade musical de seu tempo como


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
:ESTÚDIO 3 by belas-artes ulisboa - Issuu