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:ESTÚDIO 3

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370 Araújo, Viviane Gil (2011) “A modernidade de Ismael Nery”

Figura 1 Ismael Nery, Sem Título. Início da década de 1920. Nanquim e aquarela sobre papel, c.i.d. 51,5 x 36,5 cm Coleção Vilma e Rodolpho Ortenblad Filho. Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/ Itaú Cultural. Figura 2 Ismael Nery, Casal em Vermelho, s.d.. Aquarela sobre papel 30,1 x 19,5 cm. Coleção Chaim José Hamer (São Paulo, SP). Reprodução fotográfica Romulo Fialdini/Itaú Cultural. Figura 3 Ismael Nery, Origem Nº 4 - Etapa Final, s.d. Aquarela e lápis sobre papel, c.i.e. 31,7 x 27,4 cm. Coleção Chaim José Hamer (São Paulo, SP). Reprodução fotográfica Romulo Fialdini/Itaú Cultural.

Nery no discurso modernista e, desta forma, pode perceber que, “com exceção duns poucos quadros, toda obra do artista se ressentia de um ‘inacabado muito inquieto,’ ” além de compreender que “o artista era preocupado com uns tantos problemas plásticos, principalmente a composição com figuras e a realização dum tipo ideal humano” deixando a impressão de que “os problemas se enunciavam nuns quadros, e eram desenvolvidos noutros para terminar noutros” (Andrade ap. Amaral, 1984: 59), como é possível perceber nas obras que seguem, quando a representação do encontro amoroso se desdobra cuidadosamente, de uma superfície à outra. Nas figuras 1, 2 e 3 percebemos que não há grande preocupação, por parte do artista, em obter o domínio da técnica e, que suas pinturas e desenhos sugerem além das reflexões sobre o corpo, indagações sobre gênero, sexualidade e morte. Os corpos apresentados nessas obras de Ismael Nery foram multiplicados em diversas formas de representação: o corpo descritivo do manequim que seduz, a integração dos corpos consumada na intersecção dos materiais e suas transparências e o corpo que é mostrado através de seus os órgãos, manchas e fluídos sob a consciência da morte inevitável que se aproximava.


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