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:ESTÚDIO 3

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O artista

Ismael Nery (Belém, PA, 1900 - Rio de Janeiro, RJ, 1934) freqüentou a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio Janeiro, mas desistiu dos estudos ao entrar em conflito com os modelos acadêmicos impostos pela instituição. Em 1927, seguiu para Academie Julian, em Paris, que lhe proporcionou uma relação real com o vanguardismo europeu. Artista e poeta, Nery ficou conhecido como um dos pioneiros do surrealismo no Brasil, que desenvolveu a maior parte de sua produção no Rio de Janeiro, distante das vanguardas paulistas, mas que no entanto, acompanhou atentamente os acontecimentos artísticos do Brasil e da Europa. A produção de Ismael Nery está concentrada em um curto período de tempo, estimado dos anos de 1922 aos anos 1934, sendo intensamente marcada por uma linguagem pessoal, voltada à problemática do corpo humano e sua permanência no mundo, assunto que colocava suas pinturas e desenhos fora dos temas nacionais e dos interesses da cartilha modernista brasileira. De certa forma equivocado, o discurso da crítica de arte da época, situava os trabalhos de Nery como manifestações do cubismo ou expressões oníricas do surrealismo, entretanto parte dessa mesma crítica sabia que devia estar atenta a modernidade que se processava fora do seu eixo hegemônico, nesse caso, no seu próprio país. Do corpo ao corpo de Ismael Nery

Um crítico em especial considerou que outro universo bastante pessoal se apresentava na obra de Ismael Nery: Mário de Andrade (São Paulo, SP-18931945), que, entre outras importantes atividades culturais exercidas, participou ativamente da Semana de Arte Moderna de 1922 e da renovação literária e artística brasileira. Andrade se viu desobrigado da missão de enquadrar a obra de

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 368-373.

Nesse sentido, a complexidade resultante da união desses diversos conceitos permitiu o surgimento de obras singulares como do artista Ismael Nery. Em suas pinturas e desenhos, de temática auto-referente, aspectos da sua vida afetiva, seus amigos e o próprio pintor eram retratados. Nery contrariava assim, as particularidades do ‘retorno à ordem’ das escolas européias, os conceitos da vanguarda ou temas regionais e exóticos, tópicos comuns, entre os diferentes grupos artísticos brasileiros, das primeiras décadas do século XX.

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espaço perspectivo, hierarquia que determinava o valor dos personagens na cena, relação dos homens com o sagrado, entre si e a organização da cena e dos objetos (...). A segunda indicava o desejo de atualização em face de produção artística existente na Europa, o que fez os artistas unirem de maneira complexa os conceitos da vanguarda e reconstrução, ruptura e ordem (Cattani, 1994: 154).


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