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357 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 356-362.

Figura 1 Manoel Galdino em seu atelier (sem data). Reprodução Memorial Mestre Galdino, Caruaru, Brasil. Fonte: própria.

as referências bibliográficas sobre ele. A maioria dos dados sobre sua biografia é transmitida oralmente por um de seus filhos, Joel Galdino, que cuida do Memorial Mestre Galdino. Em algumas referências sobre Manoel Galdino encontramos a afirmação de que suas obras seriam surrealistas. O objetivo deste artigo é contestar esse rótulo que consideramos equivocado. Analisando sua obra com distanciamento crítico, sem tentar interpretá-la ou buscar conclusões apressadas, pretende-se aqui discorrer sobre ela pelo viés do grotesco e de suas manifestações nas artes visuais, sem ignorar, porém o processo criativo do artista. 1. O Grotesco nas artes visuais

O termo grotesco deriva do italiano grotta, e foi originalmente cunhado para designar um tipo de arte decorativa da antiguidade clássica, que influenciou largamente os artistas do século XVI. São conhecidos os grotescos de Rafael (1515) nas loggie do Vaticano. Nesses afrescos, predominavam elementos não factíveis, baseados na imaginação do artista, como animais brotando de plantas e metamorfoses de todo tipo. Afora o propósito originalmente ornamental, há algumas características determinantes do grotesco, como seu aspecto fantasioso, porém 'algo angustiante e sinistro' (Kayser, 2009: 16-19), tendo como desdobramentos posteriores características como o desproporcional, o monstruoso, o desordenado e o assustador, assim como uma tendência para o caricatural e o ridículo.


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