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:ESTÚDIO 3

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artur.ramos@fba.ul.pt

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 354-355.

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de planos, o artista usa os processos de representação e de composição para transformar as suas obras numa espécie de imagem dupla suficientemente dúbia, para estimular a nossa capacidade de recriar a realidade. O processo segue a lógica da coincidência e cada pintura é uma livre revisitação do real. Entre o devaneio e o instinto, as obras de Borrás são uma reinterpretação da realidade que rompe com os seus limites mais geométricos e opacos para consolo das nossas memórias. A recriação da realidade a partir de um texto permite sempre ao artista uma margem folgada para recriar e estabelecer metaforicamente novos mundos. As ilustrações de Júlio Pomar, estudadas por Maria Dilar Pereira, exemplificam a capacidade do desenho de concretizar mas simultaneamente de sugerir deixando sempre a realidade aberta à nossa imaginação. A linha e a linha que se faz mancha são os elementos estruturantes dos desenhos de Júlio Pomar. A linha ininterrupta, sem quebra, sem erro que ronda a forma ou que a atravessa mas que não a contém. É a intangibilidade de uma síntese que é usada para se reinventar os limites do que é de um modo mais verdadeiro e optimista. Passando da fluidez para a rectidão e quebra da linha encontramos a obra de Herbert Rodríguez, apresentada por Mihaela Radulescu. Aqui a fragmentação da imagem, a hibridez da forma e o seu sentido simbólico aliados ao poder da cor convocam forças constitutivas do ser e da vida. Para o artista a obra não deve ser autónoma pois tem que se articular com a problemática política e social. Assim, ao ser um objecto da realidade, ou seja, da vida das pessoas pode transmitir aquela vitalidade essencial para qualquer reapropriação do destino e da realidade de cada um. O trajecto destes textos mostra-nos como a reflexão sobre os limites da realidade por nós percepcionada não deixa de ser uma meditação em torno do mundo, da vida e do homem. O desenho, quer seja subentendido ou autónomo, directa ou indirectamente é um elemento determinante e fundamental para propor novas leituras da realidade e do sonho.


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