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Realidades

Ramos, Artur (2011) “Realidades” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 354-355.

Realities

Artur Ramos conselho editorial

A aceitação da realidade impõe por vezes uma redefinição da sua forma do seu contorno da sua lógica e de como se nos apresenta. A meditação em torno da nossa vivência pode ser como os seguintes autores demonstram um exercício que utiliza directa ou indirectamente o desenho como utensílio de redefinição dos limites e das certezas do que vemos, do que é e também do que não é e está para lá dos nossos sonhos. Através do artigo de Luciana Beatriz Chagas sobre a obra de Manoel Galdino, descobrimos como é por vezes curta a distancia entre dois pólos opostos. A introdução de pequenas alterações no desenho subentendido das esculturas do artista, consegue subtilmente mudar o aspecto aterrador de monstros sumérios para algo mais grotesco e cómico. Por outro lado, tanto o tema como o material e processo devolve-nos um pouco aos domínios mais primitivos da nossa imaginação e memória. Talvez por isso, as obras de Galdino modeladas em argila são o produto de um ingénuo e primitivo mas poético devaneio. Mudando o material de suporte para o plástico, encontramos na obra de Ivo Pons, exposta por Nara Martins, a recuperação, por meio da transfiguração e transmutação, de formas que sem exactidão aparente podem despoletar a nossa imaginação e a nossa capacidade de sonhar. Falamos daquilo que nos surpreende mas que enche o espírito de consolo e que é a resposta imprescindível para a recuperação da dignidade perdida perante a agressividade do bulício mundano. Seja pelo modernismo seja pela globalização a procura da identidade pessoal tornou-se legítima e uma lúcida consciência da condição humana. A obra de Ismael Nery, apresentada por Viviane Gil Araújo, é um exemplo claro da projecção do seu corpo questionado pelos domínios da representação e pela plasticidade dos meios. Entre a idealização e a desintegração do corpo tanto a vida como a morte estão presentes para nos levar a rever os nossos próprios limites. Quer por alongamento quer por dissolução do corpo o artista medita sobre si como um alívio para as suas ansiedades. Isabel Sola Márquez fala-nos da obra de Francisco Borrás onde a realidade é uma saudável ilusão que nos permite um olhar sempre renovado e diferente. Desde a escala, até à indefinição da configuração passando pela transparência


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