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:ESTÚDIO 3

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345 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 342-347.

Figura 1 Armando Reverón. Detalhe das partes íntimas das bonecas de pano. Foto Luis Brito (2005).

Junto com Reverón e Juanita, as grandes donas e anfitriãs do lar eram as bonecas, de imponente tamanho de mulher humana. Serafina, Graciela, Alicia, Niza. Terríveis e hieráticas, de antecipada modernidade dentro da plástica venezuelana, as bonecas exibem uma difícil e enaltecida beleza em sua fenomênica fealdade (Huizi, 2001: 55- 83). Reverón confeccionava as bonecas costurando panos e criando os recheios com papel jornal. Sobre a superfície de pano pintava as partes íntimas e modelava os detalhes do rosto. Quando observamos o produto final, é inegável o sentimento que despertam estes seres: uma mistura de temor e respeito ao mesmo tempo. São criaturas particulares, cheias de mistério e erotismo (figura.1). Observando os detalhes de suas partes mais íntimas não podemos evitar lembrarmo-nos da famosa obra de Gustave Courbet, A origem do mundo (1866). O processo criativo de Armando Reverón passa pela dupla articulação se comparado a Poussin. Em primeiro lugar, o artista monta os quadros vivos ou instalações com as bonecas de pano e outros objetos simulacros. Para mantê-las em pé, Reverón pendurava as bonecas do teto com arames ou similar (figuras 2 e 3). Temos assim uma obra com três produtos artísticos acabados: as bonecas como esculturas moles, as instalações e as telas, o que ilustraria um paralelo e uma articulação ao mesmo tempo entre diferentes produções artísticas, percorrendo nove anos de trabalho, entre 1939 e 1948 aproximadamente. Dos produtos


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