328 Amarante, Joana Aparecida da Silveira do (2011) “Táticas de re-pertencimento na comunidade”
É o que encontramos nesses mapas, diversas pessoas de comunidades diferentes, unem-se para a confecção de um único mapa, criando assim, laços afetivos através do reconhecimento do espaço através da memória do outro com a minha. É justamente esse o objetivo da proposta: promover a participação das pessoas, permitir que elas interajam com o mapa, descrevendo de forma criativa seus percursos, seus bairros, sua casa, ou pelo menos, que percebam, mesmo através das memórias de outros, como é a comunidade em que moram, o caminho diário, a cidade. O mapa é um espaço para falar das memórias afetivas desse lugar, ele possui significação própria, não para uma única pessoa, mas sim, para um grupo, desenvolvendo assim, mesmo que indiretamente, o senso de comunidade, pois, crio um olhar mais crítico para o espaço que, agora com minhas vivências, habito e não mais visito. Conclusões
O grupo E/Ou permitiu um novo olhar para a comunidade, para esses territórios perdidos e esquecidos pela sociedade contemporânea. Permitiu que as pessoas redescobrissem o que é viver numa comunidade, onde todos lutam por um ideal, mesmo que seja na proteção do mapa – os artistas iam reatualizá-lo quando foram impedidos de o retirarem, pois o mapa não pertencia mais ao coletivo E/Ou, e sim, a todas as pessoas que frequentavam o terminal de ônibus, a comunidade. Os mapas permaneceram por quase dois anos no Terminal Pinheirinho, justamente por esse reconhecimento que os transeuntes tiveram. A participação deles permitiu que esses não-lugares, transformassem-se em lugares afetivos, com significância para todos. A partir dele, as pessoas puderam sentir-se como pertencendo a um lugar, ele passou a ser um lugar de encontro, de troca e construção sobre o território vivido, sendo possível, a partir do momento em que as pessoas se veem em coletividade e adotam posturas criativas frente ao território. Referências Augé, Marc (2007) Não-lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. 6. ed. Campinas: Papiros,. ISBN: 85-308-0291-8 Bauman, Zygmunt (2001) Tempo/Espaço. In: Modernidade liquida. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar,. p. 107-149. Goto, Newton (2010) “Contos descartográficos.” In: Washington, Claudia. Recartógrafos. Curitiba, PR: Edição do autor. ISBN: 978-85-910719-1-3
Heidrich, Álvaro Luiz (2010) “Esquema para dialogar com Descartógrafos.” In: Washington, Claudia. Recartógrafos. Curitiba, PR: Edição do autor. ISBN: 978-85-910719-1-3 Vega, Joaquin G. & Juan G. V. Alarcóm (2008) Concepto de comunidad y concepto de asociación. In: El barrio. Buenos Aires: Lumem,.p. 67-74. Contactar o autor: joanaaparecida@gmail.com