327 Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 324-328.
Figura 2 e 3 (À esquerda) detalhes do mapa produzido nas galerias subterrâneas do Terminal Pinheirinho, região sul de Curitiba. Coletivo E/Ou. (À direita): detalhe da figura 2.
4. O sentido de re-pertencimento nas comunidades contemporâneas
Lúcio de Araújo, artista do coletivo E/Ou, fala que o cotidiano, a vivência diária desses territórios, serve como matéria-prima para o desenvolvimento dos projetos do grupo. Ele fala que a partir do momento em que conseguimos criar relações de troca com o território que habitamos, esse espaço sai do mapa, tornando-se outro lugar, o que ele chama de 'lugar-experiência,' um espaço de troca de relações, sonhos, objetivos, um espaço vivenciado. O coletivo propõe uma vivência, um novo olhar para essa rua em que moro, por onde passo, para as pessoas que moram do meu lado. A proposta permite um movimento de re-pertencimento na comunidade que não pode mais ser demarcada num mapa oficial, mas sim num mapa afetivo, de memórias e desejos. Segundo o artista Newton Goto, (...) o procedimento foi o de inventar ou recriar mapas a partir de experiências, memórias e desejos da população. Os grandes mapas que colamos nas paredes da passagem subterrânea, como lambe-lambes cartográficos, transformaram-se eles mesmos em um lugar. De representações de um território passaram a ser um lugar próprio, espaço ressignificado, ambiente criado: lugar para encontro de pessoas, para troca de conhecimentos e conversas, para manifestação e participação (Goto, 2010: 8).