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:ESTÚDIO 3

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326 Amarante, Joana Aparecida da Silveira do (2011) “Táticas de re-pertencimento na comunidade”

aeroportos, as praças que ligam um espaço ao outro e até mesmo as ruas que compõem a paisagem urbana das comunidades. Os transeuntes não vivenciam mais as cidades, estão condenados a somente visitar e não a vivenciar as paisagens urbanas. Segundo o teórico Marc Augé (2007: 95), a contemporaneidade evidenciou 'o espaço do não lugar' que 'não cria nem identidade singular nem relação, mas sim solidão e similitude.' Augé (2007: 87) ainda nos fala que 'os não-lugares criam tensão solitária,' ou seja, criam lugares sem significações e memórias. Nossa passagem por estes não-lugares é tão rápida que não conseguimos vivenciá-los, ou melhor, observar e dar-se conta que eles existem e estão presentes no entorno, são como espaços vazios que, para Bauman (2001), são espaços não-vistos onde cada vez mais nos tornamos resistentes em observar os pequenos detalhes que os compõem, servindo somente para uma circulação rápida de pessoas e objetos e não para a sua efetiva vivência. 3. Não-lugares: as comunidades contemporâneas

O homem tende a formar grupos sociais, que se dividem em primários ou comunidades, e secundários ou sociedades. O termo sociedade está ligado a uma forma especial de relacionamento interpessoal em que os homens estão unidos por uma finalidade específica; ao contrário dos grupos primários ou comunidades, que são caracterizados por uma íntima relação, com uma interação pessoal entre os indivíduos que integram, unidos de forma espontânea e de acordo com os interesses em comum de todas as pessoas, sendo a verdadeira unidade social. Para Vega e Alarcóm (2008), as comunidades tanto podem ser próximas como podem não ter nenhuma proximidade entre si, mas todas elas devem possuir um desejo em comum. Esses espaços que agregam ideais e objetivos em comum das pessoas que ali vivem, são espaços que raramente encontramos na contemporaneidade. O que vemos é a degradação dos principais valores da comunidade, do pertencimento a um lugar, a convivência destruída entre as pessoas e o aparecimento de não-lugares. Segundo Álvaro Luiz Heidrich (2010: 37-38), para o catálogo Recartógrafos, os bairros estão sendo substituídos 'por fechamentos condominiais.' Ou seja, a comunidade passa a ser profundamente marcada por separações, perde seu sentido primário que é a da convivência, o 'sentir-se parte de.' Segundo Vega e Alarcóm (2008), esse sentimento de fazer parte de algo depende das conexões estabelecidas entre as pessoas, da integração e do que cada um busca para o todo. Porém, na sociedade contemporânea, as pessoas não conhecem mais seus vizinhos, não notam as modificações do bairro e nem se interessam em participar dessas mudanças, ações que não ficam fadadas somente a uma única pessoa, mas estendem-se a todas da comunidade, que acaba se tornando um não-lugar. Não há mais comunidade, ninguém pertence a lugar algum.


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