304 Martins, Ana Carolina (2011) “A Corte do Norte: Identidade e Ausência.” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 304-308.
A Corte do Norte: Identidade e Ausência Ana Carolina Martins Portugal, realização e escrita para cinema. Mestranda em Estudos Literários e Culturais, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Artigo completo submetido em 31 de Janeiro e aprovado a 14 de Fevereiro de 2011.
Resumo Este artigo constitui uma abordagem temática sobre A Corte do Norte, romance de Agustina Bessa-Luís e filme de João Botelho. Aposta-se, assim, não na análise de argumento, mas numa exposição sobre o tratamento da (re)construção identitária para a criação de novas narrativas. Palavras chave: (re)construção, identidade, narrativa
Title On the film A Corte do Norte: identity and absence Abstract This article constitutes a thematic approach to A Corte do Norte, both the novel, by Agustina Bessa-Luís, and the film, by João Botelho. Thus, instead of it focusing on an analysis of the screenplay, it is rather an exposition of the treatment given to the (re) construction of identity in the creation of new narratives. Keywords: (re)construction, identity, narrative
Introdução
Os autores de A Corte do Norte são a escritora Agustina Bessa-Luís e o realizador João Botelho. Agustina é conhecida pela sua ligação ao cinema de Manoel de Oliveira, aos filmes que este tem realizado baseados nas suas obras. Exemplo destes são Vale Abraão (1993), baseado no romance que Agustina escreveu em 1991, e Party (1996), baseado numa peça da autora que data do mesmo ano. No caso de João Botelho, a sua ligação à literatura é reflectida por um percurso que passa por filmes como Conversa Acabada (1980), baseado na correspondência entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, O Fatalista (2005) do original de Diderot Jacques le Fataliste e, mais recentemente, O Filme do Desassossego (2010), que marca o seu regresso à obra de Pessoa. Ambos os autores vivem uma reciprocidade artística que passa precisamente pela interligação e reconstrução de formas e objectos de arte. A partir desta ideia surge o interesse de uma proposta de leitura de A Corte do Norte que seja uma visão atenta sobre aquilo que é a (re)configuração de uma identidade para demonstrar como o simulacro poderá ser criador de novos mapas narrativos. Parte-se, para isso, de uma alusão ao desaparecimento enquanto fonte de con-