Skip to main content

:ESTÚDIO 3

Page 295

294 Gouveia, Ana Elisabete de (2011) “Os Microplanos de Montez Magno e os inframinces”

Figura 1 Montez Magno: Microplanos:Transparência em lâmina de acetato, 2007; 21x30 cm x 1mm. Foto: Fonte Própria, 2011.

para o campo material. Porém, na medida em que o artista aumenta deliberadamente a espessura do suporte, os Microplanos se expandem, caminhando para a situação limite de se transformarem em um cubo (sólido platônico) com seis faces idênticas e em perfeito equilíbrio. Paradoxalmente, é o aspecto construtivo que vai restabelecer o sentido conceitual da obra. 2. Os inframinces segundo Duchamp

A fonte para o entendimento do termo inframince são as Notas escritas pelo próprio autor. Publicadas em 1980, são um conjunto de textos e apontamentos, feitos entre 1935 e 1945, e conservados por Duchamp até sua morte em 1968. É o único documento em que ele deixou registrados quarenta e seis exemplos de fenômenos inframince, permeados por sintéticas e lacônicas definições. Assim, para Duchamp, são inframinces: O calor do assento que se acaba de deixar; (1989, nota 4); A diferença (bidimensional) entre 2 objetos feitos em série, saídos do mesmo molde; (1989, notas 18); Calças de veludo – seu zunido agudo (no andar) pelo roçar das duas pernas é uma separação inframince indicada pelo som (1989, nota 9); Quando o fumo do cigarro cheira também a boca que o exala, os dois cheiros se casam por inframince (nota 11); Portas do metrô: as pessoas que passam no último momento


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
:ESTÚDIO 3 by belas-artes ulisboa - Issuu