Gouveia, Ana Elisabete de (2011) “Os Microplanos de Montez Magno e os inframinces” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 292-297.
292
Os Microplanos de Montez Magno e os inframinces Ana Elisabete de Gouveia Brasil, artista visual. Mestranda em Artes Visuais, Universidade Federal da Paraíba / Universidade Federal de Pernambuco (UFPB/UFPE). Licenciatura em Ed. Artística – Artes Plásticas. Artigo completo submetido em 31 de Janeiro e aprovado a 14 de Fevereiro de 2011.
Resumo Este artigo propõe a análise de uma série de trabalhos, intitulada Microplanos, de autoria do artista contemporâneo brasileiro Montez Magno. Discute as ideias centrais, propostas pelo artista, que focalizam o conceito duchampiano de inframince, e conclui com algumas indagações sobre as possíveis reverberações desse conceito em outros segmentos da arte e da ciência. Palavras Chave: inframince, microplanos, sutileza, sensibilidade, arte, ciência.
Title Montez Magno’s ‘microplanos’: on Duchamp’s ‘inframinces’ Abstract This article proposes an analysis of a series of works entitled Microplans, created by the contemporary Brazilian artist Montez Magno. It discusses the main ideas proposed by the artist, who focus on the duchampian concepts of inframince, and concludes with some questions about possible reverberations of that concept in other segments of art and science. Keywords: inframince, microplans, subtlety sensibility, art, science.
Introdução
A série Microplanos (2007), do artista brasileiro Montez Magno, explora o conceito de inframince, ao discutir o caráter de pinturas executadas sobre um suporte plano. As obras, tidas convencionalmente como bidimensionais, são remetidas à categoria de objetos pela evidenciação dos seis planos paralelos na estrutura física do suporte, o que, em geral, passa despercebido ao observador. Ao considerar a espessura mínima do suporte como uma das faces da figura, o artista faz mais que evidenciar a sua tridimensionalidade; alude ao ínfimo e ao sutil, fenômenos que não escapam ao olhar de Duchamp, vislumbrando neles infinitas possibilidades de desdobramentos no campo das artes. Em suas Notas (1945), Duchamp usa o termo inframince para se referir à existência de fenômenos que não podem ser definidos, apenas descritos através de exemplos.