28 Marcondes, Neide (2011) “Sonâncias e (Dis)Sonâncias na Arte Contemporânea: Instalações e Intervenções”
contínuas no preocedimento arte e na própria elaboração do objeto. A diversidade dos produtos artísticos são mutáveis, instáveis, impossíveis de determinar com exatidãoo este momento, sujeito então a melindres, preferências, humores, incertezas. Há portanto uma realidade mutável que identifica e justifica o momento atual da sociedade com as intermináveis tecnologias. Arte: esboço, desenho, ruído, vídeo, foto, arte digital, site specific, instalações e intervenções caracterizam mutações nas demonstrações em eventos e espaços. Computer gráfico, obras cinéticas, aparelhos eletroacústicos sugerem modificações na percepção visual auditiva, táctil, sensitiva e mesmo palativa. Fim da arte? Passados muitos anos, desde as vozes das vanguardas artísticas, e ainda se comenta sobre o chamado fim da arte. O historiador espanhol Juan António Ramirez (1982) ressaltou que a morte da arte, como a dos deuses, é questão dos teólogos e crentes. Fratura na arte? Poderíamos acrescentar que há uma fratura na arte? As concepções taoísta e zenista há muito conceberam o evitar a simetria da então arte ocidental pois nela viam expressas a idéia do acabado, da ordem, da repetição, e unidade do credo artístico. Gillo Dorfles já se expressava na obra Oscilações do Gosto (1974) sobre as mutações e metamorfoses no produto artístico.Prefere ressaltar as mutações e metamorfoses que aconteceram desde os happenings, concertos fluxus, environoments e com todo o repertório de obras com tempo limite, os resultados dos novos meios de reprodução e como as de hoje deste mundo, chamado pelos teóricos e filósofos, tempo de mundo líquido que registra especificamente a intemporalidade do tempo. Não vivemos nem em horizonte fechado, nem em horizonte único; mas somos e estamos situados sempre na história. Evento. Como tomar parte e fazer parte nos gemidos da criação, invenção e fazer parte e talvez conhecer e mesmo se identificar com o mundo artístico? A primeira característica do objeto artístico é o de Aparecer; é situar a obra em Evento para a fruição e o tentar visualizar, desvelar a Arte em Evento (Marcondes, 2002; 2007). O produzir é o deixar aparecer, é o deixar habitar, o erigir no sentido de abrir na linguagem heideggeriana. Instalação. Instalar, erigir para devotar, glorificar, consagrar para o mundo. Um evento, um acontecimento e a obra abre seu próprio mundo. As mutações das formas, procedimentos e mesmo de comportamentos estão caracterizados nas Instalações. Ao caminhar pelo mapeamento das bienais, galerias museus e outros espaços múltiplos, percebemos no mesmo tablado instalações neobarrocas, minimalistas, light constructers com diversidade de materiais e procedimentos, e mesmo obras para os chamados não-lugares.