282 Blauth, Lurdi (2011) “Deslocamentos entre o observar e o vigiar na produção artística de Elaine Tedesco”
Figura 1 Elaine Tedesco, Cama Pública e Cabine para Isolamento, 1999. Instalação. Mercado Público de Porto Alegre. Fonte: Elaine Tedesco.
‘isolar-se ou recolher-se,’ por um instante, da vida atribulada do seu entorno. As intervenções dessas obras provocam interrogações sobre a situação do lugar público e do local privado. Inventam a possibilidade de criar um lugar de acolhimento no espaço público e propõem a experiência das relações do corpo com o espaço interior e o exterior da obra. Para Barros (1998-99: 34), “arte pública deve fazer do lugar um momento individualizado, onde o indivíduo tem a experiência direta e assim atribui-se um conteúdo emocional ao local.” Nas Guaritas (2005), (Figura 2), os desdobramentos são oriundos de fotografias de cabines construídas em diferentes bairros da cidade de Porto Alegre, no sul do Brasil. As fotografias das Guaritas evidenciam a precariedade de algumas dessas cabines de segurança. Ao mesmo tempo em que podem ser vistas como indícios do medo e da insegurança vividos pelos habitantes das grandes cidades, são espaços que delimitam um certo território na cidade. No entanto, quando as imagens destas construções são deslocadas através de projeções noturnas sobre anteparos arquitetônicos, geram-se sobreposições que instauram novas imagens (Figura 3). O que resulta dessa operação poética sobre o espaço? O que se percebe é a fusão de duas imagens, que de um lado, surpreendem e causam uma certa instabilidade no olhar, de outro, essa experiência do ato de olhar, instiga a pensar sobre as conexões que se estabelecem entre o espaço real e a representação. As imagens em sobreposição temporal criam uma outra dimensão espacial,