Canto, Fernanda Aide Seganfredo do (2011) “Memória fugaz” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 264-269.
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Memória fugaz Fernanda Aide Seganfredo do Canto Brasil, designer gráfica. Investigadora em Belas Artes na Universidad de Castilla La Mancha, Facultad de Bellas Artes de Cuenca, Espanha. Artigo completo submetido em 31 Janeiro e aprovado a 14 de Fevereiro de 2011.
Resumo Este artigo é uma análise sobre a vídeo-instalação Bosque: Playa: Danza, de Javier Di Benedictis, sob dois aspectos técnicos que levam a um conceito abstrato: o uso do found-footage e do palimpsesto, recursos que se relacionam num intento de criação e preservação da memória. Palavras chave: palimpsesto, found-footage, vídeo-instalação, memória.
Title Video art: Javier Di Benedictis ‘Bosque: Playa: Danza’ Abstract This article is an analysis about the video instalation Bosque: Playa: Danza, of Javier Di Benedictis, under two technical aspects that lead to an abstract concept: the use of found-footage and the palimpsest, resources that are related in an attempt to creation and preservation of memory. Keywords: palimpsest, found-footage, video instalation, memory.
Introdução
O presente artigo se refere ao mais recente trabalho de Javier Di Benedictis, designer e artista audiovisual residente em Buenos Aires. Trata-se de uma vídeo-instalação em que duas telas são confrontadas, obrigando o espectador a optar por assistir a uma ou a outra. Em ambas telas são apresentados pequenos fragmentos de vídeos intervindos por meio de camadas de pintura e dispositivos ópticos. Esse trabalho foi intitulados, conjuntamente, Bosque: Playa: Danza: Apresentada por primeira vez em Buenos Aires em Novembro de 2010, e acompanhada por música ao vivo de Jirí Alvriv, essa obra tem como objetivo problematizar a preservação da memória e a cristalização do fugaz. Para isso, exibe ao espectador trechos de poucos segundos de vídeos familiares encontrados, fazendo uso do gênero cinematográfico found-footage, no qual toda ou parte substancial de um filme é uma edição de imagens recuperadas que foram gravadas por outra pessoa, em sua maioria, de forma amadora. Tais vídeos, tomados por uma família em uma praia e um jardim em meados dos anos 1990, e em geral protagonizados por uma menina loira, servem como pretexto para que o artista suscite ou provoque lembranças no espectador de momentos semelhantes que tenha passado em família, ou de um sonho quase esquecido.