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:ESTÚDIO 3

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Onde o interior e o exterior se tocam, aí se encontra o centro da alma. – Novalis Neste trabalho, procuramos nos colocar em diálogo com as imagens – posicionamento que possibilita um olhar sensível, consonante com a vertente fenomenológica (Merleau-Ponty). Entretanto, tanto o processo do artista quanto nossa investigação inclui a racionalidade. Nesse sentido, tomaremos como base o conceito de “razão sensível” de Maffesoli (1998). Passado o momento inicial

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 251-257.

Integração

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trução de Estrela de Oito Pontas, o artista já havia sido influenciado pelas imagens em movimento. Marcos Magalhães, diretor de cinema e animador, ao perceber o potencial da produção de Diniz, apresentou-lhe a técnica artesanal de animação - desenhos elaborados em seqüência com o uso de uma mesa de luz - e o deixou trabalhar com o mínimo de interferência. Trabalharam juntos por 4 anos dentro da instituição psiquiátrica. (Demarchi, 2006: 6). É possível notar que o artista sensivelmente converte a sua história de vida simples e o contexto muito restrito em um riquíssimo repertório a ser explorado em diversas faces e fases, ao longo da sua existência. Os relatos e a própria obra de Diniz evidenciam a avidez pelo conhecimento, inclusive o tecnológico. “Esperei 50 anos para entrar na universidade” é uma das frases impactantes do vídeo. Seu sonho de menino era estudar para ser engenheiro. Mais tarde, quando confinado, os livros o acompanham e ele demonstra interesse em diversas áreas: astronomia, química, física nuclear e informática. Surpreendentemente produz em 1989 grandes painéis abstratos geométricos - os Tapetes Digitais (Aguilar, 2000: 173). Esse campo do saber aparece no vídeo com a frase: “A partícula é uma parte de outra parte de outra partícula.” Além dos desenhos feitos para a animação, no acervo do Museu de Imagens do Inconsciente constam cerca de 30 mil trabalhos, sobretudo desenhos e pinturas que abarcam composições geométricas, mandalas, naturezas-mortas, cenas de interior e espécies de “catalogação” ou “inventários” de objetos. Vários desses temas também são retomados em Estrela de Oito Pontas. A necessidade de registrar, catalogar, criar categorias para os infindáveis símbolos e objetos do mundo e organizá-los em seqüências aparece com força, tanto nas pinturas a partir da década de 50, quanto no vídeo. O artista é despertado para um deslumbre pueril e ao mesmo tempo científico, diante da infinitude do universo, como podemos notar nas Figuras 1 e 2. Dentre as imagens trazidas em Estrela de Oito Pontas, outro elemento essencial se refere às “mandalas.” As composições geométricas concêntricas, estáticas ou em movimento, geram desdobramentos e múltiplas configurações instigantes, como comentaremos a seguir.


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