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:ESTÚDIO 3

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Expor é homogeneizar, é apagar a hesitação que antecede toda a escolha autoral para fixar e impor sentidos. A intitulação funciona como laboratório poético que delimita, sugere um campo imagético, indica horizontes de expectativa para a experiência estética. Pela performatividade, o título participa na dimensão plástica da obra. O outro lado agrupa peças de Carla Rebelo cujo carácter escultórico e/ou de instalação se estabelece na relação dialógica com a especificidade arquitectónica da galeria Doispaços. A percepção do mundo, condicionada pela memória, imaginação, vivências pessoais e forma de sentir, torna-se marca distintiva da artista. Dentro de uma praxis fundamentada pela hiper-subjectividade, a escolha do título assinala a metáfora como dispositivo de criação que enfatiza invulgarmente o mise-en-scéne da sombra e o mise-en-abîme especular. Histórias invisíveis, secretas ou por contar, estão na génese destas peças, onde o eu está latente e o tu é convidado a testemunhar um acontecimento de profunda intimidade, que se lhe oferece, ou antes, que se lhe revela devagar. Referências Babo, M. A.(1993), A escrita do Livro. Lisboa: Vega. ISBN: 972-699-403-9 Barthes, Roland (1977) Fragmentos de um discurso amoroso. Lisboa: Edições70. ISBN: 972-44-0303-3 (1ªed.) Carroll, Lewis (1872), The complete illustrated Works of Lewis Carroll, Reino Unido: Chancellor Press. ISBN: 1-851-52-503-3 Pessoa, Fernando (2005) Livro do Desassossego. Lisboa: ed. Richard Zenith/ Assírio &Alvim. ISBN: 972-37-0476-5

Contactar o autor: emam.margaridaprieto@gmail.com

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 224-231.

Conclusão

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própria manifesta situa-se dentro do registo evocativo: a dimensão figural da sombra na página remete o desenho para a paisagem. A sombra é projecção de um traço marcado no espelho (tornando-o espaço plástico). É presentificação de uma ausência que foi presença no acto próprio de produção.


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