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:ESTÚDIO 3

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Prieto, Margarida P. (2011) “O outro lado” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 224-231.

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O outro lado Margarida P. Prieto Portugal, pintora. Doutoranda na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Artigo completo submetido em 21 de Janeiro e aprovado a 14 de Fevereiro de 2011.

Resumo Este artigo trata seis instalações escultóricas de Carla Rebelo onde se analisam os conceitos que subjazem a todo o seu trabalho. Da autobiografia à cena metafórica, dá-se o trânsito imprescindível a toda a poesis. A encenação (como estratégia), o espelho (como dispositivo) e a intitulação (como inter-texto) aliam-se num jogo cúmplice que conta histórias, recupera instrumentos e cita autores. Palavras-chave: instalação, escultura, mise-en-scène, auto-referencialidade, espelho.

Title The other side (on Carla Rebelo) Abstract This paper is about six sculpture installations by Carla Rebelo where the structural concepts of her work are analysed. From autobiography to the metaphorical scene, the essential path indispensable to all poesis occurs. Dramatization (as a strategy), the mirror (as device) and the titling (as inter-text) are combined in several tactical approaches that tell stories, retrieve instruments and pay tribute to other authors. Keywords: installation, sculpture, mise-en-scène, self-reference, mirror

Introdução

O outro lado é o título que tomo de empréstimo à primeira exposição individual de Carla Rebelo realizada em 2010 na Galeria DoisPaços, na cidade portuguesa de Torres Vedras. A formação desta artista, que começou pela área têxtil na escola secundária António Arroio passando pela cenografia e pela escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa onde se licenciou em 2000, marca todas as suas opções. Com 38 anos, vive e trabalha em Lisboa, dedicando-se sobretudo à instalação. Actualmente, e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, desenvolve o projecto Viagem ao interior das cidades imaginadas baseado no livro Cidades invisíveis de Italo Calvino. Este artigo é dedicado à sua primeira individual, que abordarei a partir da especificidade de cada uma das peças instaladas. 1. O outro que era eu ou “Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos” (Pessoa, 1998: 137)

Um balouço. A experiência lúdica infantil é retomada como dispositivo


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