Chega-se a conclusão que a curadoria da mostra Texto Público funcionou como uma nova possibilidade criativa para o escultor. Enquanto curador, Artur Lescher pôde experimentar, através dos artistas, outros usos do espaço tridimensional, pois ele próprio não trabalha em sua produção questões específicas de intervenção urbana relacionadas com performance, luz e som. Pode-se dizer que além disso, houve um esforço por parte do artista-curador em imaginar a exposição com outro formato, ainda não utilizado nas bienais anteriores do Mercosul. Essa iniciativa de questionar o modelo expositivo e buscar inovações nos projetos de curadoria revigora os paradigmas da história da arte. Referências Acosta, Daniel (2009) Kosmodrom. 7ª Bienal do Mercosul: grito e escuta. [Consult. 200901-29] Fotografia da intervenção. Disponível em: http://www.bienalmercosul.art.br Larrambebere, Patrício (2009) Vermelhor. 7ª Bienal do Mercosul: grito e escuta. [Consult. 2009-01-29] Fotografia da intervenção. Disponível em: http://www.bienalmercosul.art.br Lescher, Artur [et al.] (2009) 7ª Bienal do Mercosul: grito e escuta. Porto Alegre:
Fundação Bienal do Mercosul. ISBN: 978-85-99501-18-4 Oliveira, Henrique (2009) Tapume. 7ª Bienal do Mercosul: grito e escuta. [Consult. 2009-01-29] Fotografia da intervenção. Disponível em: http://www.bienalmercosul.art.br
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Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 219-223.
Conclusão
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despreparados para ver a arte, causando surpresa, por outro, sua ‘invisibilidade’ intencional pode tornar-se um risco no sentido de não ser percebida. Lescher correu este risco e pode-se dizer que foi um dos fatores que tornou mais interessante a sua curadoria. Nas dezanove propostas que circundaram Texto Público, um aspecto recorrente chamou a atenção: o caráter contemplativo que não exigia uma interação participativa por parte do espectador. Não por acaso, o ato de contemplar (sem interação) é propiciado nas esculturas de Lescher. Seja táctil ou auditiva, poucos foram os projetos que solicitaram a participação do público. Flat sounds, de Cadu (Brasil, 1977), foi um dos exemplos em que apenas o visitante motorizado poderia experimentar a sensação oferecida pelos sinalizadores que reproduziam um ritmo em contato com os pneus. Kosmodrom, de Daniel Acosta (Brasil, 1965), funcionou como um mix de escultura, banco de praça e equipamento urbano deixando em aberto seus objetivos enquanto obra e relação com o público (Figura 5). Outros projetos, do vetor transitório ambulante, envolvendo performance sonora, como Ao Vivo, de Cristiano Lenhardt (Brasil, 1975), e Buzinas, de Marcela Armas (México, 1976), não geraram uma interação significativa ou inesperada, embora o caminhar entre os carros de Armas pudesse produzir um reflexo no motorista afoito de acionar a buzina ao vê-la.