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:ESTÚDIO 3

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no que diz respeito a maneira como a cidade seria ativada, funcionando não só como cenário, mas ponto de partida para os projetos dos artistas. Nas palavras dele: “interessam os artistas que produzem formas poéticas a partir dos fenômenos urbanos” e, continuando, “(...) os trabalhos visíveis e invisíveis, que ocupam fisicalidades sutis, como o ar e o espaço sonoro, as vias públicas e os meios de comunicação” (Lescher, 2009: 247). A partir dos vetores definidos na curadoria: iluminação, irradiação, transitório ambulante e pontos no mapa, Lescher (2009) com certeza buscou convidar artistas que se adequassem a estes vetores, tanto por propostas anteriormente alinhadas, quanto pela capacidade de desenvolver projetos afins. O desafio de compor a curadoria, neste caso, parece ser a forma como esta seria construída pela visão de um artista. De que maneira Lescher iria impregnar espaços urbanos para propor uma conversa entre artista e público sem interferir ele mesmo enquanto escultor, proprietário de uma visão particular? Seria quase uma ‘tentação’ ao artista pensar em maneiras de ocupar espaços urbanos, mas na qualidade de curador, Lescher teve que projetar apenas as possibilidades de uso por outros. Observando o resultado da mostra Texto Público alguns dos projetos apresentados nos vetores foram bem sucedidos, sendo que um deles foi a Radiovisual, uma programação sonora produzida na própria Bienal por uma equipe coordenada pela artista Lenora de Barros (Brasil, 1953) do vetor irradiação. A Radiovisual era transmitida diariamente às 22 horas, 4 minutos e 33 segundos, na frequência 107.7 FM da Rádio Cultura durante uma hora, e também podia ser acessada no site da Bienal na forma de looping. Além das entrevistas com os artistas, cura-

Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 219-223.

Figuras 1, 2 e 3 Patricio Larrambebere, Vermelhor, performance para os grafismos urbanos esquecidos, 2009, Mostra Texto Público, 7ª Bienal do Mercosul. Fotos: Flávia de Quadros e Eduardo Seidl/indicefoto.com


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