Skip to main content

:ESTÚDIO 3

Page 201

200 Barachini, Teresinha (2011) “Contraposições do performer Flávio de Carvalho”

Durham da Inglaterra. Em 1932, cria em São Paulo o CAM (Clube dos Artistas Modernos) com Antonio Gomide (1895-1967), Di Cavalcanti (1897- 1976) e Carlos Prado (1908-1992). Entrevista Le Corbusier, André Breton e Man Ray para a publicação de artigos no Brasil. Adere ao Manifesto Antropófago de 1928 de Oswald de Andrade. Notadamente sofre influência dos escritos de Sigmund Freud e James Frazer e dos surrealistas franceses. Torna-se o precursor da performance no Brasil, com seu trabalho Experiência nº 2 (1931) e Experiência nº 3 (1956), realizadas em São Paulo. E, com quase 60 anos de idade, na Amazônia, realiza sua Experiência nº 4. Em 1930, no IV Congresso Pan-Americano de Arquitetura e Urbanismo, no Rio de Janeiro, ele irá apresentar o texto A cidade do homem nu (Carvalho, 1930), desejando uma nova cidade para os trópicos e um homem despido 'sem tabus escolásticos' para ser livre em seu raciocínio. Deixa claro, desde então, que suas preocupações estéticas estavam entrecruzadas a questões políticas. Segundo Guerrero (2010b, s.p.), o urbanismo de Carvalho pressupunha uma força vinda da subjetividade do indivíduo, a qual deveria ser estimulada dentro dos diferentes cenários urbanos em um sistema rizomático. Em grande medida, suas proposições estéticas e críticas foram postas em ação através de suas performances e dos seus escritos. 1. Experiências performáticas no centro de São Paulo para um novo homem dos trópicos.

Próximo das chamadas ruas do Triângulo, no centro histórico de São Paulo, em 1931, Flávio de Carvalho realizou sua Experiência nº 2 e meses depois publicou livro de igual título (Figura 1). Sua performance consistia em andar em sentido contrário a uma procissão de Corpus Christi, com um boné de veludo verde na cabeça. Este seu ato não se tratou apenas de um simples caminhar invertido, mas de um enfrentamento direto com uma multidão temente a Deus e alienada politicamente, levando-os a uma repulsão corporal em reação ao artista. Para Freitas (2007), esta ação teria sido movida pela indignação do artista perante as agressões sofridas por Oswald de Andrade (1890-1954) e Pagu (19101962), quando do episódio de fechamento do Jornal O homem do povo. Mas, também existe a especulação, segundo a mesma autora, que Flávio de Carvalho teria feito uma deferência ao aristocrata francês, Jean François Lefebvre, Chevalier de La Barre (1747-1766), decapitado e queimado em uma fogueira por não ter feito reverência (ou tirado o chapéu) perante uma procissão católica, configurando assim, a Experiência nº 1. A sobreposição destes acontecimentos podem ser apreciados na peça teatral O homem e o cavalo, de Oswald, escrita para ser encenada no Teatro da Experiência (1933), de Flávio de Carvalho. Ao ver a procissão naquele domingo, 8 de junho de 1931, em São Paulo, segundo Flávio de Carvalho (2001: 16), ocorreu-lhe 'a idéia de fazer uma experiência


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook