O designer em questão vê a sua prática como forma de resistência, e como tomada de posição perante o mundo, ao referir, relativamente aos mecanismos da propaganda e publicidade As pessoas ainda não conseguem perceber como funciona o mecanismo da propaganda, como são conquistadas com uma falsa oferta de felicidade e de tampar vazios [...] A maior parte do meu trabalho lida com questionamentos de como perdemos a pureza no coração e damos lugar ao poder, dinheiro, ganância e corrupção. Bettina Rupp em “Artur Lescher frente a outro desafio tridimensional: a curadoria” (2011) propõe um tipo de resistência que não remete para um determinado grupo social, nem para determinado contexto físico, mas sim para um processo, um modus operandi na curadoria da ubíqua bienal. Referindo-se a Texto Público: A mostra organizada por Artur Lescher teve dois fatores interessantes. Primeiro, o fato dele não ser um profissional da curadoria e sim um artista atuante. O segundo fator se refere ao formato expositivo sugerido por Lescher no que diz respeito a maneira como a cidade seria ativada, funcionando não só como cenário, mas ponto de partida para os projetos dos artistas. Margarida P. Prieto, em “O outro lado” (2011 b) apresenta uma proposta subtil através da exposição do trabalho de instalação de Carla Rebelo. No mise-en-scène desta instalação, um título vem dar voz a uma cadeira. Animada, por via da linguagem (pela intitulação), a cadeira (objecto) faz-se
Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 196-198.
o mais importante em uma coleção é que os objetos envolvidos sejam liberados de suas funções originais, para poderem assim integrar-se em um 'novo sistema histórico' criado particularmente pelo colecionador e somente por ele compreendido de todo.
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Propondo também um acto de resistência, se bem que menos antagonizante, é o texto de Margarida P. Prieto “(A)TOPOS: Para uma (a)topologia da instalação pictórica” (2011 a). Esta reflexão sobre o trabalho de Rui Macedo propõe o conceito operativo (A)TOPOS como forma de questionamento dos “a priori expositivos dos espaços museológicos e/ou galerísticos.” Trata-se de instalação pictórica que “dentro de uma praxis que se apropria do espaço expositivo, dá-se a ver como instalação para exaltar o paradoxal conceito da (a)topologia.” Uma outra proposta de sentido é desenvolvida por Fernanda Aide Seganfredo do Canto (2011) em “A coleção de Eduardo Recife”. Este texto incide sobre a obra gráfica do ilustrado, tipógrafo e designer Brasileiro. Desenvolvendo o conceito de colecção, a autora faz suas as palavras de Walter Benjamin, referindo que