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:ESTÚDIO 3

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184 Dias, Aline Maria (2011) “Alguns cadernos de desenho” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 184-189.

Alguns cadernos de desenho Aline Maria Dias Brasil, artista visual. Mestre em Poéticas Visuais, Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Bacharel em Artes Plásticas - Habilitação Pintura e Gravura, Universidade do Estado de Santa Catarina. Artigo completo submetido em 27 de Janeiro e aprovado a 14 de Fevereiro de 2011.

Resumo O artigo aborda os cadernos de desenho do artista José Antônio Lacerda, analisando a complexa e desordenada multiplicidade de desenhos e anotações que o compõe. A autora define o caderno como lugar de experiência, testemunho e construção de si, carregando resíduos e fragmentos do cotidiano e do processo artístico e, ainda, problematizando as distinções entre documento e obra, e os modos de exposição. Palavras chave: cadernos de desenho, experiência, testemunho, documento, exposição.

Title Some sketchbooks (on José António de Lacerda) Abstract The article discusses the drawing notebooks of the artist José Antonio Lacerda, analyzing the complex and disorderly multiplicity of drawings and notes that compose it. The author defines the notebook as a place of experience, testimony, and construction of the self, carrying residues and fragments of the process and the daily life of the artist, and also questioning the distinctions between documents and artistic work, and the forms of exhibition. Keywords: drawing notebooks, experience, testimony, document, exhibition.

No começo de 2010, o artista José Antônio Lacerda deixou em minha casa uma caixa com 16 de seus cadernos de desenho, datados entre 1993 e 2006. Eu vira os seus cadernos, pela primeira vez, em 2002, na exposição Artesanato Decorativo e o Papel das Paredes, realizada no Museu de Arte de Santa Catarina. Nesta mostra, fotocópias das páginas dos seus cadernos foram coladas nas paredes do museu. De nove mil folhas diferentes, apenas uma porcentagem foi utilizada. Nestas folhas havia uma profusão de anotações e desenhos, cobrindo quase toda a superfície da parede, do chão até o teto, e, assim, problematizando o que cabe nas paredes do museu e qual é o papel dessas paredes. A ressonância desta e de outras experiências, conduziu meu interesse para a prática do caderno de desenho na produção dos artistas contemporâneos e que


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