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:ESTÚDIO 3

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182 Cordeiro, Filipa Eusébio Vieira (2011) “Cyprien Gaillard e a arqueologia do futuro”

Figura 2 Cyprien Gaillard (2009) Cities of Gold and Mirrors; still do video (Griffin, 2010: 84).

Maias. A experiência da história e do exotismo é oferecida em pacotes de viagens repletos de oportunidades de consumo, em que o consumo da história é apenas mais um dos produtos oferecidos. Os jovens aliviam-se do tempo de produção de aparências precisamente através do consumo de aparências. Regressam uma semana depois, com uma vaga memória das ruínas e a inevitável desilusão da promessa, que nunca se cumpre no espectáculo. Às “ruínas de arquitectura juntam-se as ruínas humanas” (Gaillard apud Griffin, 2010: 85), num espectáculo em que todos são escravos das aparências. Conclusão

Cyprien Gaillard serve-se abertamente da dimensão espectacular das imagens na sua obra – a frequente utilização de explosões ou ruínas coloca-a precisamente no mesmo fluxo de imagens que domina hoje a socialização. A sua posição moral é ambígua: ao mesmo tempo que explora o efeito sedutor e alienante das imagens, Gaillard expõe o âmago da sua fragilidade. Por entre as suas imagens pressente-se a debilidade do estado de presente perpétuo que a anulação da história pretende manter. No limiar paira uma sensação de vazio, um aflorar da falta de sentido e da ausência de real do momento presente. Segundo Debord, a chave para a tomada de consciência do indivíduo é o diálogo com a história, e o constante colocar em questão do presente, em relação com (a totalidade) do passado. Gaillard propõe um diálogo com a realidade presente, ao colocar a nu a


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