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:ESTÚDIO 3

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178 Cordeiro, Filipa Eusébio Vieira (2011) “Cyprien Gaillard e a arqueologia do futuro” Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 178-183.

Cyprien Gaillard e a arqueologia do futuro Filipa Eusébio Vieira Cordeiro Portugal, artista visual. Licenciatura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL). Mestranda em Arte Multimédia, FBAUL. Artigo completo submetido em 31 de Janeiro e aprovado a 14 de Fevereiro de 2011.

Resumo Este artigo debruça-se sobre a obra de Cyprien Gaillard, evidenciando a sua relação com o conceito de espectáculo lançado por Guy Debord. Neste âmbito são abordados os temas da paisagem, da entropia e da criação de ruínas, em relação com a obra artística de Gaillard. Palavras chave: Cyprien Gaillard, espectáculo, ruínas, entropia.

Title Cyprien Gaillard: an archaeology for tomorrow Abstract This article focuses on the work of Cyprien Gaillard, underlining its connection to the concept of the spectacle coined by Guy Debord. For this purpose the concepts of landscape, entropy and ruins are analyzed, in relationship with Gaillard’s pieces. Keywords: Cyprien Gaillard, spectacle, ruins, entropy.

Introdução

Cyprien Gaillard (Paris, 1980) vive e trabalha entre Paris e Berlim. Estudou na Ècole Cantonale d’Art de Lausanne, na Suíça. Venceu a edição de 2010 do prémio Marcel Duchamp. A sua obra tem sido mostrada em exposições individuais desde 2004. No presente artigo explicita-se a concepção de paisagem segundo Cyprien Gaillard. Segue-se uma reflexão acerca da entropia e do processo de criação de ruínas, a partir da obra Geographical Analogies. Por fim, introduz-se a noção de espectáculo segundo Guy Debord, evidenciando-se a presença transversal deste conceito na obra de Gaillard. 1. Arqueologias de um futuro em potência

“Onde está hoje a natureza selvagem?,” pergunta Jonathan Griffin a Cyprien Gaillard, numa entrevista para a revista Frieze (2010: 85). Gaillard responde com duas referências da sua vida pessoal. Na primeira, fala dos tempos em que acompanhava o seu pai a pescar no rio Oregon. Confrontado com a natureza em bruto, a sua preocupação era encontrar uma estrada asfaltada ou um parque de


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