159
cênicas, Kantor desenvolveu seu trabalho artístico junto à companhia Cricot 2. Ao longo de 35 anos, sua obra passou por diversas fases, discutindo e pondo em prática questões e características que continuam a permear a linguagem cênica contemporânea, tais como o informal, a negação ao drama, a valorização das imagens no palco, entre muitas outras. A morte de Tadeusz Kantor, em 1990, na Cracóvia, deixou uma série de manifestos entre outras produções literárias de memorável grandeza poética. Esse material, que se constitui como o mais completo estudo de sua obra, não nos impede, entretanto, de voltar o foco de luz para algumas características de sua produção teatral. Desenvolvimento
A presença da morte na obra de Tadeusz Kantor se dá sob diversos aspectos. Sem jamais se interessar por representar a morte como se faria em um drama tradicional, Kantor procurou maneiras de abordá-la por vias indiretas. A valorização da materialidade da cena, a mecanização do movimento corporal dos atores, a utilização de manequins, a concretização poética da lembrança e a repetição são elementos que possibilitam essa abordagem e que gostaria de apresentar aqui. Entendendo que “a vida só pode ser expressa na arte pela falta de vida e pelo recurso à morte, por meio das aparências, da vacuiade, da ausência de toda mensagem” (Kantor, 2008: 201), Kantor desenvolveu em seus espetáculos um tratamento da imagem que nos é especialmente interessante. Na tentativa de superar a simples reprodução da realidade pela arte, Kantor procurou trabalhar o isolamento tanto dos objetos cênicos quanto das personagens, de modo que, desprovidos de suas funções primordiais, eles pudessem ganhar novos significados, manifestando um outro tipo de vida. Por meio desse recurso, onde os elementos cênicos, personagens e objetos,
Revista :Estúdio. ISSN 1647-6158. Vol.2 (3): 158-162.
Figura 1 Tadeusz Kantor, entre os manequins de A Classe Morta.